quarta-feira, 31 de agosto de 2011

A adoração e o Estado


           Para Hegel, só quem tem o espírito da história é o ocidente civilizado. Assim, só quem tem a sociedade civil, só quem conquistou essa sociedade civil é quem tem o espírito, a consciência histórica. A Índia não tem história, segundo Hegel, porque não teve essa conquista.

É impressionante como isso se assemelha aos pensamentos de Sartre, qual seja: a salvação do homem está na autorealização, mais precisamente aquela que encontra o estopim no engajamento político para a construção da cidadania. É Sartre mais um hegeliano de esquerda ou direita, seja o que for?

Esse espírito está em Hegel, mas também é exatamente esse espírito impessoal que redime o homem satriano existencialista – o espírito da história.

Por isso defendo que a sociedade civil, a dita civilização se apresenta como uma barreira para a adoração ao Deus triuno, o Deus Pessoal. É a barreira da sociedade civil que dificulta a pregação do evangelho e que distancia o povo de Deus da verdadeira adoração, pois a sociedade civil diluiu a imagem (embaçou) do Ser de Deus e transferiu sua soberania ao próprio homem. Antes, a sociedade civil deveria exaltar o criador dos céus e da terra, mas no último dia, essa sociedade se ajoelhará perante o Rei. 

Ora se é verdade que a sociedade civil não possui esse chamado – adorar – e sim algo prático que é tão somente administrar a terra sem se envolver com o criador, então porque o livro de apocalipse enfatiza que no último dia todo rei, príncipe, seja o que for, se prostrará perante o Rei dos reis? Mais ainda, por que Cristo recebe um título se senhorio em relação aos reinos da terra se Ele nada tem haver com o governo público da terra? Caso contrário bastaria seu nome de origem – Deus o Filho – pois sua relação seria somente com a igreja, mas esta não possui administração pública, somente o pastoreio espiritual. Então por que Cristo recebeu o título “Rei dos reis”? Porque seu governo sobre os homens será real (rei, res, coisa real, verdadeira). Se for real, será governo no sentido de administração direta sobre os homens, mas não será mais a sociedade civil panteísta, esta não terá mais sentido de ser, será uma assembleia de filhos regenerados. Por isso o reino pertence à igreja. A igreja será a nova sociedade futura, por isso ela é o baluarte da verdade. Não haverá mais sociedade civil romântica (panteísta), somente haverá a igreja adoradora do Deus pessoal Trino.

Ora, essa sociedade civil sabe que a história possui um sentido (em Platão, Aristóteles, Hegel, Marx, Weber etc), mas se finge de morta frente ao Sujeito da ação que revela o sentido. Por isso, ela é nada mais que uma sociedade romântica, pois aceita o propósito, mas nunca o propositor. Uma sociedade fundada numa concepção que exalta uma força impessoal que rege a história. Isto é romantismo, isto é panteísmo, é a velha nova era de sempre. Um propósito mascarado de despropósito – essa é a síntese hegeliana. A tese, o propósito, e a antítese, o despropósito, se fundindo e criando a síntese, o panteísmo, velho panteísmo.

A sociedade civil aceita a síntese. Mas a palavra de Deus a rejeita. Síntese é uma fábula, uma ilusão que presume a união de dois absolutos. O bem e o mal, o macho e a fêmea, o propósito e o despropósito. Síntese é uma mentira do enganador. Síntese é impossível, não é possível sintetizar o propósito com o despropósito, ou a verdade (res, rei) contempla um ou outro. Mesmo assim, a sociedade histórica (a sociedade civil) continua se baseando nessa concepção mentirosa e iludida, uma concepção indiana que Hegel emprestou. Não é possível unir o bem ao mal, o macho e a fêmea (no sentido de desfigurar cada um), pois essa é a ordem do propósito divino, que existam os dois distintamente, entretanto a sociedade civil faz essa síntese. 

É exatamente essa síntese civil que engana a igreja e faz barreira à verdadeira adoração em Espírito aqui no ocidente. Essa síntese tem um nome atualizado – nova era ou pós-modernidade. A razão de se dar nomes, de se intitular as eras é essa crença de que a história evolui num sentido, mas esse sentido que faz evoluir a história não teria, segundo o espirito da história, dono, trata-se de uma força impessoal e misteriosa que dá razão a esse sentido, a esse propósito. Por isso o mundo não tem desculpa, pois o propósito foi revelado e o próprio Senhor do propósito também, mas o mundo nega o Senhor. Assim o Espírito convencerá (as melhores traduções desse texto bíblico dizem “culpará”) o mundo por seu pecado, pois negaram o Filho de Deus – a Expressão exata do Ser pessoal de Deus.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

A lei do Senhor é perfeita e restaura a alma (Sl. 19. 7)


A lei tem o erga omnes da mesma forma que os contratos civis. Por isso, a lei tem eficácia contra todos e efeito vinculante, assim como as súmulas do STF. Isto é essencial porque, frente a milhões de teses e defesas a respeito de algo, está a lei que é essencialmente a verdade objetiva que não dá muito espaço para tamanhas interpretações. 

A cosmovisão bíblica é assim, traz a lei de Deus que também é erga omnes. O sábio Salomão dizia: “Meu Filho, atenção. Produzir muitos livros é algo que não tem fim, e estudar demais deixa o corpo esgotado. Agora que já disse tudo, aqui está a conclusão: teme a Deus e obedece aos seus mandamentos; porque este é o propósito do homem”. (Ec. 12. 12-13). A lei justa dá descanso e liberdade. Dá descanso porque ela diz: olha, vc não precisa criar teses e mais teses, passar a vida toda criando teses ou trabalhando hipóteses porque a verdade já foi revelada pelo legislador, siga a ela e seu coração ficará satisfeito. Dá liberdade porque tudo o que ela não proíbe, permite fazer sem medo de ser feliz. Mais ainda, dá liberdade porque inibe o pecado dentro do coração, e o pecado é sempre escravizador.

                A lei é objetiva no sentido de que é revelação da vontade do legislador e vem de contra a subjetividade humana em muitos tópicos. A lei é algo de fora da subjetividade e apesar disto coage contra esta mesma. Tudo isso é muito estranho e maravilhoso.

                As Escrituras sagradas, por ser instrumento de Deus para a celebração do pacto feito pelo sangue de Cristo e por ser o contrato dos contratos (há que se lembrar de que a existência do Estado se deve principalmente à necessidade de se jurisdicionar as relações contratuais. O Estado surgiu principalmente por isso.), também tem efeito erga omnes, ou seja, tem eficácia contra todos. Essa eficácia se confunde com o pacta sur servanda (o contrato faz lei entre as partes). Como as partes envolvidas no pacto celebrado e registrado no instrumento das Escrituras sagradas são Deus e a própria humanidade, o efeito erga omnes acaba se igualando ao pacto sur servanda. Por tudo isso, o salmista chama a palavra de Deus de lei. Por ter eficácia contra as partes e contra todos, a lei de Deus é fundamentalista no sentido estrito de que está posta contra todos os homens que a desobedecerem.

                Este é o sentido da palavra “escritura” atribuída por Cristo à Palavra de Deus quando afirmou que as Escrituras eram infalíveis: é um instrumento público que prova um pacto, um contrato. Por ser um instrumento, ele é objetivo, ou seja, não dá asas à subjetividade humana, por isso não admite hipóteses e teses a respeito de suas cláusulas. Como todo instrumento, é externo ao homem, é um objeto real e digno de toda confiança. Além disso, as santas escrituras servem como se fossem títulos executivos, pois seus escritos tem poder real, o poder de transformar vidas, mas isso por causa do poder do Espírito Santo que age sobre a letra, assim como o estado age sobre a letra da lei, transformando-a de algo abstrato em concreto. 

É impressionante a semelhança entre o Reino de Deus e o estado – este nada mais que um ministro de Deus. Será por isso que as sociedades secretas mundiais, que possuem alto grau de misticismo, estão repletas de “doutores” da lei? Estes doutores, apesar de sua maioria não crer em Cristo, sabem que o dono do universo é o Grande Arquiteto do Universo (G.A.D.U.). Curioso é que a maioria deles nega o Filho.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

A Lei do Senhor é perfeita e restaura a alma (SL 19).


            A lei de Deus é superior a qualquer conhecimento humano, pois os pensamentos de Deus são mais altos que os dos homens. Quando a lei dispõe que devemos amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo, ela está revelando sua superioridade em relação ao conhecimento erudito do ser humano. 

Os homens em sua inteligência quase conseguiram decifrar o mistério. Pensavam eles no tempo do romantismo que a última etapa do conhecimento é a arte, precisamente a música, a música que canta o amor. O homem romântico quase vislumbrou a verdade de Deus, quase... Não fosse o abismo que separa o homem de Deus – o abismo do pecado e da morte. O romantismo do século XIX, que é uma síntese do helenismo, do neoplatonismo, do renascimento, do panteísmo de Hegel, defende que a ciência gera a arte em ultima instancia. Apesar do romantismo ser uma aberração do reino de Deus, uma concepção humana de um deus impessoal sem a devida revelação das Escrituras, ele dá alguma pista sobre o verdadeiro reino de Deus. Vejamos o por quê. 

É bom ressaltar de início: o romantismo é sinônimo de idolatria, pois sua base epistemológica é o panteísmo. No entanto, esta escola filosófica defende algo que as escrituras também pregam: a última etapa do conhecimento é realmente o amor (Cor. 13). No entanto, de acordo com as Escrituras, não se trata do amor panteísta e humano, mas daquele atributo de Deus que faz parte do Ser de Deus. Como a musica expressa bem o amor humano, os românticos pensavam que a ultima etapa do conhecimento era a musica, demonstrando o panteísmo latente em atribuir a musica, ao compositor e aos cantores (daí toda a idolatria pós-moderna aos “popstars”), um atributo que só pertence a Deus – o verdadeiro amor.

O amor verdadeiro não inspira somente a musica, mas inspira o sacrifício, pois o amor de Deus gera ação e não apenas emoção e melancolia, como queriam os românticos. Mas o que nos interessa aqui é perceber como que o romantismo, um movimento que buscava desesperadamente de forma apenas humana um deus impessoal, sem a verdade de Cristo, vislumbraram que o conhecimento erudito tem um estopim – o amor impresso nas artes. Isto é o que o homem conseguiu por seus próprios esforços. 

Os cristãos têm o tesouro, Cristo. Ele é o auge de todo conhecimento, pois ele é o amor, ele é a verdade revelada, ele é o amor encarnado, ele é a lei encarnada.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Canção "Tesouro em Vasos de Barro"

André Câmara Chaves - 2009. baseado em II Coríntios 4.


CORO:
Tesouro em vasos de barro
É o Teu ouro em um ser totalmente frágil! 
O ouro és Tu, Jesus, e as riquezas da Tua glória,
Os vasos somos nós, vasos de misericórdia;
A excelência do poder é tua e não nossa
Somos servos Teus preparados pra Tua glória.


ESTROFE 1:
Temos este ministério pela misericórdia que nos foi dada por Deus;
Assim não distorcemos a palavra de Deus,
Mas rejeitamos pretensões ocultas,
Não procedendo com presunção e astúcia,
Mas proclamando a verdade do Rei!
Recomendamo-nos a mente de todos os homens
Diante de Deus, diante do Rei!
E se alguém não aceita o nosso evangelho
O fim deste alguém é o julgamento eterno!
O deus deste século cegou a mente dos incrédulos
Para que não vejam a luz do evangelho!
Da glória de Cristo, da glória de Cristo o qual é a imagem de Deus!


ESTROFE 2:
Não pregamos a nós mesmos, mas a Cristo, o Senhor, e a nós como seus servos.
Somos afligidos, mas não ficamos arrasados,
Assustados, mas não desesperados;
Somos perseguidos, mas não desamparados,
Abatidos mas não destruídos
Trazendo sempre no corpo o morrer de Cristo
Pra que sua vida se mostre em nós
Mesmo que nosso corpo esteja se desgastando
Nosso interior está se renovando
Esta leve e momentânea prova não nos desanima
Pois produz para nós eterno peso de glória
Pois não contemplamos coisas materiais, mas eternas e espirituais


III PARTE:
O Senhor resplandeceu em nossos corações
Pra conhecermos sua glória na face de Cristo;
Queremos que todo homem conheça esta glória
Por meio da graça de Deus,
Para que todos dêem graças e glórias a Deus 

Todos os direitos reservados.