terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Canções e a santidade (3)

            Antes de ontem eu estava acompanhando o show de Roberto Carlos em Jerusalém. Um homem dessa idade já deve desconfiar que o amor que tanto o encanta não é possível se não houver pessoas para compartilhar. Não por menos que em uma de suas músicas diz não ser possível haver amor além do horizonte se a pessoa amada não for com ele também. Na verdade o que mais me impressiona é o fato de que o amor é mundialmente reconhecido como um valor sublime e que o homem em si não pode fabricar o amor, visto que já está provado pela história a tendência do homem para o mau. Ora, se o ser humano não pode criar o amor e se apenas pessoas é que podem compartilhar o amor, então uma pessoa não humana é a razão do amor! Portanto, que pessoa criou o amor?
                Roberto Carlos disse nesse show que a sua missão é cantar o amor, o amor de irmão, de pai, de filho, de mulher e de fé. Bato palmas pra ele porque quando falamos de amor, estamos falando de Deus mesmo sem perceber. O problema único do romantismo é exatamente não conseguir avistar que o amor vem da essência de uma pessoa divina, Deus, o amor é a essência de Deus. As pessoas não cantam Deus, o titular do amor, mas cantam o amor como uma força universal, um espírito impessoal, o qual se torna totalmente imanente nas pessoas e nas coisas, essas que por serem habitação desse amor, se tornam deuses. Uma aberração da verdade.
Até as coisas passam a ser tratadas como fontes desse amor. O sol, a lua e as estrelas principalmente; depois as árvores, o mar, os rios etc. Os três reis magos do oriente, homens que procuravam a sabedoria, provavelmente vindos da região da índia, visto que a Índia sempre foi tida como terra dos grandes sábios, homens que buscavam o amor na natureza (de sua ignorância), assim como Roberto Carlos, alcançaram supreendentemente a graça comum do nosso Deus. Ora o panteísmo (romantismo, mundanismo, nova era), sempre foi a religião universal em todos os tempos de ignorância, desde a criação, não foi Spinoza, nem Hegel, nem Wagner e nem os Beatles que o inventaram. Mas aqueles homens quando em uma de suas buscas aos deuses dos céus, às estrelas, encontraram uma que os guiaram a um menino recém-nascido numa estrebaria de Belém. Nesse momento, o panteísmo seria de vez enterrado e a verdade de forma esplendorosa brilharia! Deus não é uma estrela, a própria estrela apontou para uma pessoa infante. Deus é uma pessoa, aleluia! Essa é a verdade! Aleluia! O Senhor de toda a Glória é uma pessoa, um ser que se relaciona! Oh aleluia! Deus, o Pai, utilizou uma estrela Sua, alvo da adoração dos “sábios” românticos idólatras, a apontar para Cristo, um ser pessoal não originariamente humano, mas o próprio verbo eterno da vida!
Sabe-se que muitos hoje em dia fazem suas peregrinações a Índia para encontrarem o Brahma, o espírito impessoal. Os Beatles também fizeram isso e incentivaram o mundo a fazer o mesmo. Poucos se apercebem que a dois mil anos atrás, três pais do oriente, magos do oriente, ex-panteístas, apontaram para Cristo, o Filho do Deus vivo, a expressão exata do Deus invisível, o próprio Senhor da Glória! A própria estrela, um dos alvos principais dos panteistas-idólatras, apontou para Cristo! Por que então o mundo não se converte? Por que as pessoas continuam buscando a heranças do hinduísmo, como o budismo e o espiritismo? A resposta é: porque não pregamos! Como seremos cobrados se não pregarmos o evangelho da verdade! Que boa nova maravilhosa! Não precisamos mais adorar as estrelas e o sol, porque o Deus de todo o universo se revelou de uma vez por todas em Cristo Jesus! Aleluia!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

O Tesouro do homem (3)


Como é possível alguém possuir título de Doutor da lei, ser cidadão romano e conhecer toda a filosofia grega, bem como sua retórica, como o Apóstolo Paulo, ser capaz de dizer: “eu decidi nada saber entre vós a não Cristo, e este crucificado” (1Cor. 2.2)? Só há uma explicação: ele realmente viu o Senhor da Glória! Aleluia! Ele viu que a Glória do Unigênito Filho de Deus é maior que qualquer coisa que se possa imaginar ou saber neste mundo! Obrigado, Senhor, pelos Teus verdadeiros Apóstolos, testemunhas oculares da Tua Glória!

O tesouro do homem é Cristo. O homem descobre sua natureza espiritual apenas quando ele descobre Cristo, e isto se dá quando o Espírito de Deus passar a habitar no homem e abrir-lhe os olhos para enxergar a Glória do Filho de Deus. Daí em diante, o mundo natural perde todo o sentido. As palavras dos homens perdem seu sentido e vira ilusão, vaidade. A verdade passa a habitar no coração. Uma espécie de êxtase sem fim entra no coração ao contemplar a Glória do Filho amado de Deus. Por isso, sem o Cristo crucificado e testemunhado pelos Apóstolos, não há vida. A vida do homem é Cristo, O TESOURO DO HOMEM.

Por isso o homem natural segue as loucuras de Darwin – o homem não é um ser espiritual. Mas é isso mesmo, o homem sem Deus não é um ser espiritual e sim uma espécie de animal evoluído, um ser totalmente imanente na natureza, um ser impessoal (um animal em constante evolução), isto é fato. Por isso, dizem eles, o mundo está nessa miséria porquanto o homem ainda está em seu processo de evolução, não podem atinar que essa é a natureza decaída do ser humano, seu tesouro foi roubado por Satanás com suas mentiras, e só o Senhor Jesus pode lhes dar a vida verdadeira. O homem espiritual é aquele que descobre pela graça de Deus e por Seu Espírito o maior tesouro: Jesus Cristo.

Por isso Paulo disse: “Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não da nossa parte” (2 Cor. 4.7). Cristo é o tesouro do homem e quando o homem descobre isto é porque o Espírito Santo já passou a habitar nele. A partir desse momento tudo o que esse novo filho fizer será para a glória de Deus, pois a excelência do poder é de Deus e não dele. Digo novo filho, “Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus” e “O Espírito mesmo testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rm 8.14 e 16).

Na verdade, em si mesmo o homem não tem nenhum tesouro valioso. Tinha, antes de sua depravação total (Rm 3.23). O tesouro que ele tem agora não é mais ouro nem prata, pois estes foram saqueados pelo inimigo de nossas almas, o tesouro que ele tem agora é feno e palha, é o que Cristo chamou de mau tesouro do coração (Lc. 6.45). Depois da queda o homem perdeu a glória de Deus que tinha em si e ficou apenas com resquícios dessa glória, uma imagem corrompida de Deus. Na verdade o homem sem Cristo vive não mais espiritualmente como é a vontade do Criador que é Espírito (Jo. 4.24), mas vive como os animais, animados por suas glândulas e seus instintos. Espiritualmente, esse homem é um defunto, um morto vivo.

E o que dizer dos hinduístas, budistas, espíritas e hippies que se gabam de ser espirituais? Alguns destes desconfiam de parcelas da verdade, pois eles têm contatos com os demônios. Outros percebem que a vida é mais do que se vê e fazem suas especulações humanas. Outros tantos buscaram os valores espirituais, por conta da graça comum do espírito que ainda age em todo homem, e Deus permitiu conhecerem o Rei da Glória - é o caso dos magos do oriente que provavelmente vieram da Índia para ver Jesus. A partir de então, todo romantismo (idolatria, feitiçaria, ilusão, vaidade, impessoalidade “divina”, despropósito, acaso e caos) se rendeu à verdade da Pessoalidade e do desígnio de Deus na história. Eles viram que os tesouros espirituais possuem o seu titular, o seu dono, a Pessoa do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Eles entenderam que os valores são sempre adjetivos de uma pessoa, somente as pessoas podem compartilhar valores. Se o homem não pode produzi-los, somente cultivá-los, então os valores têm sua origem em uma Pessoa não humana originariamente – o Deus triúno, suficiente em si mesmo, feliz em si mesmo, pois tem sua comunhão eterna entre o Pai, o Filho e o Espírito.

Sem Cristo o homem é um morto vivo. Somente a partir do momento em que ele passa a crer no Cristo crucificado é que ele recebe aquele tesouro valioso, aquele que adão possuía antes de sua queda, mas como uma diferença: este novo tesouro é imperdível, pois foi dado por preço de sangue. Este tesouro é a nova vida deste homem, é o Espírito de Cristo (Rm 8.9). Na verdade, primeiramente é necessário que o Espírito Santo entre neste homem (Jo. 16.8) e, então sim, ele passa a confessar esse nome tão precioso e sublime que é o nome de Jesus Cristo, “em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos” (Col. 2.3).

O Espírito Santo, que procede de Deus o Pai e Deus o Filho, glorifica o Filho (Jo. 16.14), por isso, quem confessa que Jesus veio em carne, tem o Espírito (1Jo. 4.2). Assim, quem quiser provar se já recebeu este Tesouro de vida, é só fazer esta pergunta: eu creio que Jesus veio em carne? Caso a resposta seja afirmativa, este filho de Deus pode pular de alegria, pois já foi selado por Deus e já recebeu o seu penhor (2Cor. 1.22, 5.5, Ef. 1.14) , um tesouro que garante a sua herança, quem pois confessa que Jesus veio em carne pode ter a certeza de sua vida eterna, pois tem a garantia, a certeza, o Espírito Santo. A herança é a coroa final, a vida eterna que é o maior tesouro que o homem pode querer, além disso, nesta herança se inclui todo o reino e suas possessões. No entanto, mais importante que ter a vida eterna é ver o Rei da Glória, o próprio Senhor e Deus, face a face, isto sim, é tudo o que o homem sempre sonhou, mesmo que negue. Este é o maior tesouro, Cristo e seu Espírito.

Só Jesus, só Jesus, só Jesus nos satisfaz. Aleluia!


quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Jesus é o caminho, a verdade e a vida

Eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vem ao Pai a não ser por mim (Jo. 14.6). O humanismo da modernidade tentou transferir o poder de Deus para o homem, tentou tornar o homem em deus. Mas a Verdade com V maiúsculo pertence somente a um, a Cristo. Dele provém toda a verdade, portanto se eu quiser conhecer a Verdade, é a palavra de Deus que deve me guiar e não as palavras dos homens. É a sabedoria de Deus maior que a dos homens. É comparando coisas espirituais com espirituais, não com palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas com palavras ensinadas pelo Espírito Santo (I Cor. 2.13) que poderei conhecer Deus o Pai, o Filho e o Espírito Santo. É a terminologia bíblica que deve me guiar e não as palavras dos homens. É tão bom descansar em Deus e saber que todo o poder e sabedoria pertencem a Deus, e que a nós compete crer no Senhor e conhecê-lo segundo a Sua Palavra, pois é a Palavra da Verdade.
Senhor, perdoa-me se dei lugar ao Diabo e permiti que a minha fé fosse abalada por palavras de homens que nada são e só levam a morte. Obrigado Pr. Max (Igreja Batista Constantinópolis, Manaus-AM), por ter sido instrumento usado por Deus neste domingo último para me disciplinar. Por essa razão, ninguém pode fica sem pastoreio e sem a comunhão do corpo de Cristo.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

“Que graça tem ficar sério o tempo inteiro?”

“Que graça tem ficar sério o tempo inteiro?”, perguntou o menino Jess, personagem do filme “Ponte para Terabítia”, que exalta a imaginação, a lenda e a “magia” infantil, cena em que seu pai o criticou dizendo que deveria desenhar dinheiro a fim de que pudesse pagar as contas da família já que gostava tanto de desenhar.
Essa pergunta trata de algo muito importante para os adultos inclusive. C. S. Lewis disse certa vez que Cristo é a consumação de toda a “magia”, encanto, lenda, de todo o mito e todo o sentimento de eternidade que há no coração do homem. Na verdade o que o personagem infantil do filme queria saber é: o homem é mais que a sua própria existência, o homem é “encanto”, o homem é um ser espiritual.
O amor de Deus por seu Filho é o verdadeiro encanto dos homens, por isso diz a obra-prima: “Jesus, alegria dos homens”. Ele é o amor encarnado, aleluia, Ele é a palavra encarnada de Deus, o verdadeiro pão (Jo. 6.32) que desceu do céu que alimenta o homem, alimenta a sua eternidade e lhe satisfaz completamente.
As crianças vivem nessa dimensão do encanto e da eternidade, talvez por isso o Senhor disse: “Deixai vir a mim as crianças, e não as impeçais, porque de tais é o reino de Deus” (Mc. 10.14) e “Qualquer que em meu nome receber uma destas crianças, a mim me recebe” (Mc 9.37).
Os movimentos artísticos de vanguarda do século XX exaltaram o retorno à vida infantil nas artes. Dentre tantos o Dadaísmo (de “gugú dadá”), o surrealismo e outros tantos. Queriam eles o retorno à infância, à infância feliz e seus encantos. Os homens no fundo sabem que as crianças estão bem próximas do amor de Deus, por isso desejam eles esse retorno feliz. Pena que suas idolatrias os impediram de se achegar ao Criador como uma criancinha faz. “Em verdade vos digo que se não vos converterdes e não vos fizerdes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus” (Mt. 18.3) disse o Senhor.
O senhor Jesus é a razão de nossa existência, é o encanto, é a verdadeira música, Ele é a nossa vida. Que graça tem ficar sem Jesus? Não tem nenhuma Graça.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Canções e a santidade (2)


A alma é composta de amor. As canções e as outras artes são compostas através do amor. As canções são composições da alma. Por isso a alma é mais importante que as canções. O homem não deve procurar sua salvação nas artes e na auto realização, mas naquele que formou a alma. A salvação não está nos meios (a cultura), mas no fim (Deus o Pai, O Filho e o Espírito). As canções não são os fins, mas os meios para a adoração.

A História e o Cristianismo


                A sociedade ocidental costuma afirmar que sua história passou por um grande colapso, um hiato que compreende o Império romano até a revolução francesa. Segundo a maioria dos eruditos, esse colapso representou uma idade negra, a idade das trevas, apenas porque a cristandade estava com o poder político.

                Pensando assim, posso compreender a agonia dos europeus, por estarem sob o domínio da igreja católica, sem que pudessem tomar suas próprias decisões civis. No entanto, essa é a parte negativa da história. No sentido positivo, o cristianismo jamais poderá ser encarado como fora da história. Cristo cresceu em Nazaré, foi morto sob o governo de Pôncio Pilatos ao confessar ser o Cristo e Rei, ressuscitou sendo foi visto por centenas de pessoas.

                Daí surgiu a primeira geração da igreja e os apóstolos. Seguiram-se as diversas gerações de pais e escolásticos da nova cristandade. A estatização da igreja foi um grande erro de Constantino, erro que ainda em nossos tempos tem trazido consequências – como a apostasia e a blasfêmia dos eruditos. Veio a reforma protestante, na verdade foi um grande avivamento, a própria visitação do Espírito de Cristo sobre a igreja. A igreja atual pode permanecer calma e confiante, pois a promessa se cumpriu, as portas do inferno não prevaleceram contra a igreja.

                O importante é contemplar por olhos espirituais a história. O cristianismo é espiritual e ao mesmo tempo é histórico. Os eruditos querem impor uma nova história, a história da civilização e ao fazerem isso pretendem excluir o cristianismo como um erro que deva ser apagado. Para eles o cristianismo não é história, ao contrário, é idade das trevas, é loucura, é atraso. A história teria recomeçado com a revolução francesa, o que foi possível por causa da consciência lúcida dos iluministas, humanistas e renascentistas, como queria Platão com sua república dos iluminados. Mas o cristianismo se sustentou desde que Jesus foi assunto aos céus e exaltado a direito de Deus até os dias de hoje, provando ser tão histórico quanto a revolução francesa. Considerando que as doutrinas cristãs não são possíveis sem o fundamento do antigo testamento, afirmo desafiando a qualquer um que o cristianismo existe desde que Abraão saiu de Ur dos Caldeus e foi se fixar na terra de Canaã. Talvez ele seja até mais antigo que o hinduísmo. Quando Isaque, filho de Abraão perguntou “onde está o cordeiro?” aí se dá o termo inicial do pacto entre Deus e o homens prometendo a remissão através do Cordeiro – surge então o cristianismo histórico. Mas o cristianismo não é apenas fato, é principalmente valor (numa linguagem erudita). Acima de tudo o cristianismo é espiritual. É a soberania do valor sobre o fato.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

O Tesouro do homem (2)

                A doutrina do Tesouro em vasos de barro (II Cor. 4.7) traz sérias complicações. Uma delas é: se o mundo moderno e pós-moderno tem ignorado que o homem é um ser espiritual, mas crido que é apenas um agregado de instintos e glândulas dentro de um corpo, e a Palavra de Deus por sua vez ensina que ele é essencialmente um espírito criado em um corpo de carne, então o conceito de realidade precisa ser reverificado.
                Ora, se existe um espírito humano no corpo que não pode ser visto, mas pode ser percebido por causa do movimento corporal e dos olhos principalmente, e se esse espírito é real e, no entanto invisível, então a realidade não se configura apenas como coisas que podem ser vistas e analisadas, mas também sentidas e cridas.
                E se a partir do momento da morte, onde há a decomposição do ser humano (o espírito se separa do corpo), quando o corpo se deteriora, mas a alma redimida não (Lc. 23.43), tem-se que o espírito é mais importante que o corpo, por isso a realidade transcendente é mais importante que a realidade visível.
                Outra séria complicação: se o espírito humano é substância real, e este é formado de valor então decai aquela antiga análise de que tudo na vida se divide em dois compartimentos: o fato e de valor. A partir daqui, valor é fato e fato é valor. Por isso a Palavra de Deus ensina: o Espírito (valor eterno e não criado) é fato (a Palavra de Deus não tenta provar a existência de Deus), e, o fato só existe por causa do propósito do Espírito de Deus. Se pudermos conhecer o espírito humano, por que não poderíamos conhecer o Espírito Santo de Deus? Se o homem é um ser espiritual, tudo é possível (parafraseando às avessas Dostoievski) e as Santas Escrituras são verdadeiras!
                A pessoalidade só é possível por causa do valor. O valor é a cópia dos atributos comunicáveis de Deus. É o que a Bíblia chama de Fruto do Espírito (Gl. 4). Sem isto não pode existir a pessoalidade no espírito humano, são os valores compartilhados do homem para o seu igual que o torna pessoal, neste sentido não há como falar em pessoalidade sem santidade, é a santidade a chave mestra, é ela que incide sobre todos os valores espirituais – fruto do espírito – para tornar um ser numa pessoa, pois sem a santidade que só Deus pode dar, o espírito humano não pode se separar da natureza para ser uma pessoa. O pecado destrói essa condição, ele incide sobre valores como câncer e faz com que o homem se torne um com a natureza, o diluindo na natureza, o tornando um ser impessoal, porque completamente imanente em tudo o que existe, perdendo assim sua transcendência em relação às coisas e as outras pessoas – isto é romantismo, isto é panteísmo, foi exatamente isso o que ocorreu em Woodstock (final dos anos 60) na épica revolução contracultural, no limiar da “Nova Era”, do Pós-modernismo em que vivemos.
                O grande problema da filosofia, da ciência e da psicologia é que não se notou um detalhe tão importante e tão concreto: o homem é um ser espiritual, é tão somente o espírito que o faz ser uma pessoa e o pecado destrói sua pessoalidade. É a santidade que faz do homem uma pessoa.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Sou livre e feliz!

             Quando estava na Faculdade de História, frequentemente ouvia os professores e colegas dizerem: “os crentes são uns alienados!”. Hoje entendo que é realmente o que sou. A alienação que eles se referiam é o ato de abrir mão de um direito da personalidade, como o da intelectualidade. A verdade é que todo ser humano é um alienado. Ser alienado é ser escravo de alguém. Quem não é escravo de Cristo (alienou todo o seu ser a Cristo) é escravo do pecado (alienou todo o seu ser ao pecado). A questão primordial é que tudo na vida se resume a duas coisas, como nos ensinou Santo Agostinho: os meios (os instrumentos) e o fim (a Glória de Deus). O ser humano que se aliena para os meios, ou seja, se vende para as coisas do mundo e o pecado, é escravo em todos os sentidos. O homem que se aliena para o fim, ou seja, para glorificar a Deus, é escravo em sentido estrito de que submeteu todo o seu ser a Deus e aos seus mandamentos, mas em amplo sentido, é um ser livre e feliz por ter se submetido aquele que É a Razão de toda a existência humana.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

O Tesouro do homem

Toda a ciência, filosofia, psicologia têm se embalado na rede do naturalismo de Darwin. Por isso, hoje o homem é encarado como um conjunto de instintos, glândulas e talentos naturais que o levam a evoluir sempre. Quando este homem entra em crise, a psicologia prontamente ajuda a resolver, como se o homem não tivesse um espírito, um tesouro dado por Deus que é distinto do corpo. Assim o homem é o seu próprio corpo. Na verdade, diante dessa concepção moderna e pós-moderna não há que se falar no homem como um ser espiritual, pois isso não existiria, a alma humana seria algo irreal, o ser humano seria produto da evolução. No mundo de hoje, a alma foi deletada, o tesouro ficou perdido, o que antes se conhecia como “alma”, hoje se conhece como “consciência”. Isto soa mais científico, mas civilizado.
Talvez por isso, o mundo de hoje se refere à doutrina bíblica do pecado como algo abominável. Condenar o pecado? Como pode? Pecado não existe! O ser humano precisa exprimir todo o seu potencial, todo o seu extinto e talento se quiser atingir seu nirvana existencial e chegar a sua autorealização, seu carpe diem, para se salvar deste mundo misterioso. Como eu poderia arrancar os meus olhos se quisesse parar de pecar (Mt 5.29) se eu sou o olho?  Como eu poderia arrancar minhas mãos se quisesse para de pecar (Mt 5.29) se eu sou a minha mão?  Pelo contrário, preciso é de expressão! Isso é tudo! Preciso fazer tudo o que mandar o meu coração, esta será a minha salvação!
O mundo não sabe que cada ser humano possui uma alma. Pelo menos três dimensões podem ser vistas na alma: a substância, o valor e o propósito divino. A alma possui substância. Ela possui limites e estes estão no próprio corpo. Se possui limites é porque há uma substância espiritual. Sartre transformou erroneamente a alma em simples consciência. Dizia ele que se se trata de consciência apenas, não há que se falar em substância. Mas o homem não é apenas uma consciência de si, é mais que isso, há algo dentro dos olhos que transcende o próprio corpo, há algo maior que a consciência, aquilo que dá razão a esta. A consciência é apenas uma ideia. A coisa palpável, substancial e factual é o espírito humano. Quando o corpo falece, o espírito continua a existir (Lc. 23.43).
A outra dimensão da alma é o valor. O valor é a cópia do atributo comunicável de Deus como o amor, a justiça, a fidelidade etc. O ser humano o é como pessoa, quando busca na fonte os valores tão essenciais a si, quando busca o Senhor Deus e o Seu Filho. Por isso quando o homem deixa de buscar a Deus, perde os valores e começa a se degradar deixando de ser pessoa para se tornar uma “impessoa” – um animal. Por isso Satanás quer tanto que pequemos, pois o pecado destrói a imagem de Deus no homem, o homem deixa de ser homem quando peca, pois perde o seu tesouro – os valores – para se tornar um simples animal. É isto que satanás tanto almeja.
A mais importante dimensão que podemos perceber na alma – o propósito de Deus. Sem isto, não haveria alma. A essência da alma humana é o querer do criador. Assim como a essência de uma cadeira é o projeto-propósito do artesão, a essência do ser humano é o propósito de Deus. Por isso, o homem possui essência antes mesmo da sua existência, pois Deus projetou o homem antes que esse viesse a existir (Ef. 1.12).
O homem possui um tesouro que é a sua alma. Aquele que se apegar ao mundo visível e não der conta de seu tesouro, o perderá no grande dia do julgamento onde o Filho tão amado e gracioso de Deus exercerá uma de suas prerrogativas que tanto ignoramos: a de juiz santo e inexorável que É.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

A Batalha pela Verdade

                As três guerras mundiais do século vinte conseguiram fazer o que Hegel esperava: a síntese evolutiva do conhecimento. O racionalismo moderno fundamentalista que gerou essas guerras sofreu a síntese hegeliana e se transformou num irracionalismo evolutivo, criando essa realidade que temos hoje: o pós-modernismo, ou melhor, a volta do velho panteísmo.
                Por isso a negação das proposições lógicas (se..., então...!), a negação de qualquer verdade absoluta, a negação da Palavra de Deus como inspirada e infalível. Chegará o momento em que apenas a igreja pregará a verdade e ninguém mais. Por enquanto, mesmo alguns que não são de Deus ainda aceitam a graça comum do Espírito Santo e por isso ainda aceitam algumas verdades, mas logo não restará ninguém a aceitar tais verdades. Por isso diz Paulo que a igreja é a coluna e o baluarte (fortaleza) da verdade (1 Tm 3.15). Tão somente a igreja defenderá a verdade, mas a igreja invisível, pois no seio da igreja visível habitam os lobos com cara de cordeirinhos, apóstatas pós-modernistas que trabalham para detonar o corpo invisível de Cristo – as almas que creem na Palavra das Escrituras.
Mas a igreja não precisa se entristecer nessa batalha. Isto é apenas uma conjuntura histórica. Talvez seja a última, mas não passa de uma conjuntura, ou seja, de um sopro. Não se trata de nada novo. Esse pós-modernismo mágico já foi vivido na época do helenismo (no tempo de Jesus), na época de Sodoma e Gomorra, na época de Noé. A Palavra do Senhor sempre prevaleceu. As marcas de águas, desenhadas de alto a baixo nas rochas das montanhas, que podem ser vistas no mundo todo testemunham o que Deus fez no tempo de Noé, além disso, temos os testemunhos da Bíblia e de centenas de Nações nativas que falam do mesmo dilúvio, é apenas para dar um exemplo. O nossa missão é batalhar pela verdade.
II CORÍNTIOS 04:
1 Pelo que, tendo este ministério, assim como já alcançamos misericórdia, não desfalecemos;
2 pelo contrário, rejeitamos as coisas ocultas, que são vergonhosas, não andando com astúcia, nem adulterando a palavra de Deus; mas, pela manifestação da verdade, nós nos recomendamos à consciência de todos os homens diante de Deus.
3 Mas, se ainda o nosso evangelho está encoberto, é naqueles que se perdem que está encoberto,
4 nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus.
5 Pois não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor; e a nós mesmos como vossos servos por amor de Jesus.
6 Porque Deus, que disse: Das trevas brilhará a luz, é quem brilhou em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo.
7 Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não da nossa parte.
8 Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desesperados;
9 perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos;
10 trazendo sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nossos corpos;
11 pois nós, que vivemos, estamos sempre entregues à morte por amor de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nossa carne mortal.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Canções e a santidade

                  Não é no êxtase das canções que alcançamos alturas vertiginosas e surreais para voarmos com o Senhor, mas é pela santidade que o homem verá o Senhor (Hb 12.14)! Se o vê, o homem já entrou confiantemente na sala do Trono da graça, o Senhor o pega pela mão e voa com ele pelas nuvens de Sua Glória!

                  As canções tão somente podem nos emocionar ou na melhor das hipóteses nos fazer entrar em transe biológico, mas é pela apropriação da santidade de Cristo que podemos rasgar o véu da história e ver o Senhor assentado no Seu Trono.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Canções do coração (2)

                A música cristã vive atualmente as consequências das duas guerras mundiais e da guerra fria do século vinte. Não fora essas guerras, o subjetivismo não teria entrado em cena como modo de escape para as angustias da sociedade. O existencialismo ateu não existiria, a arte moderna surrealista também não, igualmente as épicas revoluções contra culturais das décadas de 50 e 60, o rock também, ou seja, toda a música simplesmente subjetiva que se tem hoje não existiria.
                De certa forma, a igreja herdou dos Beatles, o maior símbolo de tudo acima descrito, o modo de cantar, tocar e ministrar, ou seja, o subjetivismo. Mas como se trata de canções espirituais, a igreja tem se auto expressado em santidade. A questão é que a música como obra de arte, como bela arte, ficou para trás. Não se ouve mais musica coral, orquestras, obras de louvor e adoração como antigamente. Apenas se ouve daquilo que Deus pode fazer para a subjetividade prosperar. O lado mais importante ficou para trás – aquilo que a subjetividade pode fazer para adorar o Criador e Senhor.
                O ministério de louvor que conseguir unir os dois motivos fará muito bem. Na verdade, o principal motivo da música é propriamente a adoração a Deus. Se as canções subjetivistas (intimistas, introspectivas) se direcionarem mais a adoração e menos as necessidades subjetivistas, a igreja encontrará bom termo.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

A razão do amor

                Estava lendo o livro “UMA HISTÓRIA DE AMOR SEM PALAVRAS” da autoria do ilustrador Rui de Oliveira, um conceituado artista ilustrador do Brasil. Neste livro direcionado às crianças, o autor conta somente através de imagens como surgiu o amor, o sentimento que nos liga ao mundo. Pude logo perceber que toda a natureza ganhara personalidade, desde plantas, árvores, a lua e o sol. Duendes saiam da floresta e tudo mais. A concepção deste autor se mostra ser a mesma de qualquer ser humano que busca a razão do amor, mas que ao mesmo tempo não confia na palavra de Deus – é o panteísmo, ou melhor, o romantismo, velho romantismo.
                Quando a palavra de Deus nos ensina a santidade de Deus, ela está ao mesmo tempo atacando uma concepção tão antiga quanto o momento da queda de Adão e Eva – o velho panteísmo. Por que a palavra de Deus esgota a questão da Santidade de Deus? Porque o panteísmo sempre foi latente e patente na humanidade. Essa concepção é a própria do mundo. É dela que parte o mundanismo, a ideia de que deus é tudo e tudo é deus. A Santidade divina ‘ é a verdade bíblica que quebra essa maldição. A igreja de Cristo é a única que adora um Deus Santo, Santo e Santo. Ora a santidade de Deus não é pouca coisa, como muitos imaginam. Ela não trata apenas da impecaminosidade de Deus. A santidade virtua todos os outros atributos de Deus. Em último sentido, é a santidade que “faz” Deus ser uma pessoa. A sua separação do mundo “o faz” ser pessoal, assim como eu estou separado, transcendente, em relação a uma árvore, por exemplo.
                O panteísmo de sempre afirma que deus é a árvore, é a planta, é o sol, a lua, a mulher, a criança, enfim é tudo. Ora a adoração pós-moderna que se dá aos artistas, aos super-homens, às coisas, aos objetos é apenas um formato atualizado do panteísmo. A própria ciência, quando afirma que é a única solução para o conhecimento, tem se mostrado eivado do espírito panteísta, pois tem colocado o próprio homem como o centro da vida e do conhecimento, ou seja, deus de si mesmo. Por isso a autora Nancy Pearcey, em seu livro intitulado “Verdade Absoluta”, afirma que quando a ciência conseguir desbancar de vez o cristianismo entregará o bastão de volta ao panteísmo.
                Aquelas imagens que eu vi no livro citado no início, me fizeram pensar em algo interessante. Vamos lá: Ora, a marca do panteísmo é atribuir a personalidade de Deus a todas as coisas do mundo, inclusive aos animais (isso explica o panteísmo hindu-espírita, a reencarnação). Isto me fez lembrar a serpente no paraíso. Como o homem começou a desconhecer a Deus e a confiar nas coisas e nos animais? Quando a serpente tentou a Eva. Muitos pensam que o livro de Gênese é apenas um mito. Mas, é qualquer pessoa parar e analisar livros de sociedades secretas satânicas e verá que nos últimos estágios do satanismo, os novos bruxos são ensinados a se apossarem dos corpos dos animais e habitarem ali por alguns momentos. Por que então satanás não poderia se apossar do corpo de uma serpente?
Assim, Satanás teria ensinado há milênios a adoração à natureza e aos animais e às pessoas, plantando no coração humano o panteísmo, pois até hoje ele engana as nações com isto. Por que as pessoas creem firmemente nesta mentira de que a natureza possui personalidade? Por que um dia o ser humano viu um ser impessoal (a serpente) com um espírito pessoal (Satanás). O inimigo de nossas almas fez o que Hegel chama de síntese: misturou a impessoalidade com a pessoalidade. Como a história oral é uma estrutura histórica e esta, por sua vez, pode atravessar séculos e séculos, de geração em geração, a humanidade pôde perfeitamente ter assimilado de vez esse engano do Diabo. De fato, foi o que aconteceu. Satanás não apenas incitou o pecado separando o homem do Senhor, mas ensinou o homem a adorar a criação ao invés do criador.
Há uma coisa que o homem não pode negar a existência: o amor. O amor não se explica no próprio homem, por isso ele vai tentar explica-lo naquilo que é maior que ele: a natureza. Mas, o amor é um valor, valor é atributo, atributo é adjetivo. Adjetivos valorativos não existem em coisas impessoais (na natureza ou nos animais), mas apenas em pessoas. Apenas pessoas podem transmitir amor, porque lhes é próprio. Uma vez, num domingo, o Pastor da comunidade viva de Manaus, Winston Lages, disse: “precisamos levar amor para as pessoas, mas só poderemos fazer isso levando pessoas”. É isto. A razão do amor, portanto, não vem da natureza, do cosmos, mas de um ser pessoal que é maior que o homem, transcendente e por isso mesmo Santo – o Senhor. Exaltado em santidade é o Teu nome ó Altíssimo! Aleluia! Os homens tentam negar, mas a Tua verdade reinará para todo o sempre!
               

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Canções do coração


              Tanto o impressionismo quanto o expressionismo dependem da subjetividade humana no momento da composição artística. O impressionismo é uma síntese da beleza real e objetiva e a subjetividade. Há nele a valorização do real (a beleza da criação) sobre o surreal (a subjetividade). Para a adoração da igreja, o impressionismo é de maior valor, pois se trata do reconhecimento da majestade real de Cristo e por causa de tamanha beleza se canta hinos que retratam essa beleza. Mas a alma (subjetividade) está sempre submissa e embebecida pela beleza de Cristo. O expressionismo não dá valor às coisas reais, mas tão somente a subjetividade humana. Esse expressionismo foi causa imediata ao surrealismo e ao pop rock existencial. Talvez por isso os cânticos de hoje não tenham mais referências à beleza, aos atributos de Cristo, mas tão somente as necessidades e angústias subjetivas. 

                É certo que um dos ministérios do Filho é a consolação. O principal ministério do Espírito também é a consolação (João 14: 16). Grande é este mistério. No entanto, o consolo para a subjetividade só virá se esta subjetividade se render e se submeter ao Rei. Render significa adorar, reconhecer todas as qualidades desse rei (transcendente, mas real). O cântico de adoração deve ser mais uma impressão das qualidades reais do que a expressão dos sentimentos confusos e enganosos do coração. É um erro dizer que o impressionismo que orientou o classicismo é objetivo demais, seco e sem emoção. O impressionismo assim como o expressionismo depende da emoção totalmente. É pura emoção, mas uma emoção submissa e adoradora a glória de Deus, do Filho e do Espírito. Já o expressionismo não se submete a essa glória, pois é principalmente subjetiva – é uma expressão das qualidades do coração, não tem por isso conteúdo real, apenas surreal.

                No entanto, não fora o pecado, o expressionismo seria perfeito, pois sendo a alma sempre conciliada com o Criador, a expressão da alma seria a mais linda possível, e além disso, a expressão da alma procuraria contemplar a beleza do Criador e para tanto lançaria mão dos motivos artísticos da criação. A auto expressão regenerada é algo lindo, pois se trata de uma arte perfeita: o expressionismo (arte do coração = surrealismo) orientado pelo impressionismo (arte da beleza da criação). É isto o que nos diz Martin Lloyd Jones: 


Não fora o pecado, o ensinamento da auto-expressão seria adequado. Se o homem tivesse continuado perfeito como Deus criou, então todos os impulsos e instintos estariam operando de maneira correta, servindo aos mais altos interesses do homem (Sincero, mas errado. P. 23).



                Neste sentido, não há porque criminalizar a música tribal que se desenvolveu nos EUA e se alastrou no mundo todo. No Brasil, cantores como Fernandinho, têm utilizado amplamente o expressionismo. Como homem regenerado, ele tem liberdade para tanto. Quantas são as almas salvas, consoladas e preparadas para adorar por causa de seu lindo ministério? Seu último trabalho, “Sou Feliz”, exala um expressionismo santo. O uso de pads, guitarras com efeitos, motivos de arranjos que fazem a alma voar em busca do Senhor Jesus e sua glória, são timbres que evocam na alma o prazer pelo mistério, mas não o mistério pelo qual os existencialistas se angustiam em seus rocks – o que vem depois da morte, este Cristo já revelou -, mas o mistério maior e mais glorioso que os filhos de Deus nunca conseguirão decifrar – a grandeza da glória do Pai.

                O gospel de fato é expressionista. Aqui a existência busca consolo com o Consolador, o Espírito de Cristo. Na verdade foi o spiritual, o gospel e o blues batista do sul dos EUA que deram os motivos musicais ao rock existencialista. Jean Paul Sartre, o pai do existencialismo ateu, amava ouvir os spiritual e os gospels. Imagino o motivo: A angustia existencial do negro americano sendo completamente expressa em sua música. O negro não procurava motivos na natureza para compor seus gospels, não tinha tempo para contemplar a criação, apenas para trabalhar. Seus cânticos eram expressões puras da alma. Não havia nada de impressionismo; Puro subjetivismo, puro surrealismo. Essa era a atração de Sartre. 

Assim como o exemplo da musica das igrejas batistas do sul dos EUA demonstra a legitimidade do expressionismo cristão na adoração, temos que uso do gospel nas igrejas não deve ser impedido, pois se os músicos são regenerados, eles irão produzir adoração pura. Caso contrario, "pelos seus frutos os conhecereis" (Mateus 7: 20),  não se tratará de gente regenerada. Se as musicas das bandas não produzem frutos dignos, música de exaltação, mas apenas música de angústia existencial, prosperidade, enfim, necessidades da existência, trata-se de gente neófita na fé. Precisam amadurecer! Precisam conhecer a beleza do Criador para compor seus cânticos. Essa beleza está revelada nas escrituras e também na criação (Sl. 19). O adorador compositor necessita contemplar essa beleza, contemplar os atributos do Criador e todo o Seu ser para enfim compor o amor do coração pelo ser do Senhor.

O expressionismo cristão deve antes de tudo buscar a beleza do salvador e sua glória. O expressionismo cristão expressará tudo o que há no coração regenerado, portanto expressará o amor a Deus e a valorização de Sua beleza Seus atributos e Sua glória. Há uma reconciliação entre as formas artísticas, pois o expressionismo cristão buscará seus motivos no Criador. Isto é a arte perfeita: a música não precisa ser tão objetiva (impressionismo) como a clássica ao querer imprimir fielmente a beleza da criação e reproduzir, por exemplo, o canto dos pássaros, a não ser que os ouvintes queiram. Mas igualmente não precisa ser tão subjetiva ao querer vomitar naqueles que ouvem, como no Rock, as angústias da alma. No coração regenerado, a alma com toda a sua criatividade exprimirá seu amor ao Criador, e como já disse acima, para tanto lançará mão da beleza de Deus e de Seus atributos para compor os cânticos de adoração da alma.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

A Adoração e o Estado (4)


               A sociedade civil criada no pós-revolução francesa fez bem em excluir a cristandade, pois igreja e estado não devem andar vinculados. No entanto, fez muito mal em excluir o próprio Deus e criador do universo para adotar um panteísmo. Se objetivamente o estado é um ministro de Deus não vinculado à igreja, não deveria o estado reconhecer subjetivamente este dado? "Bem-aventurada é a nação cujo Deus é o SENHOR, e o povo ao qual escolheu para sua herança." (Salmos 33: 12). A pessoalidade de Deus é que libera virtude sobre os governantes para governar com justiça e equidade. A impessoalidade romântica não faz isso, ela simplesmente vicia os políticos os transformando em seres impessoais – sem virtude, sem valores absolutos. Este é o lado negativo da democracia: se o governo vem do povo e não de Deus, não há que se falar em verdades morais divinas, pois cada cidadão possui seu sistema axiológico (de valores), o princípio de gestão há que ser o da impessoalidade (artigo 37 da Constituição), mas se o governante reconhece que o governo vem de Deus, é pela justiça de Deus que o governante irá gerir o estado e o fará debaixo do temor de Deus.

                Vale notar que tudo isso se trata de um vício insanável, não há mais como voltar atrás, nenhuma nação se voltará para Deus, é um caminho sem retorno – esta é a nova era. Aqui não se propõe uma revolução político religiosa, a história mostra como isto é detestável, mas apenas uma revolução de mente dos cristãos no momento da adoração. A igreja pode ter a consciência espiritual de que seu Deus é verdadeiro, pois os céus e a terra proclamam sua teleologia (Seu propósito), esta por sua vez proclama a glória de Deus (Sl 19. 1). Por isso, na adoração, a igreja pode estufar os pulmões em plena confiança e soltar a voz em alto tom pra louvar o Santo e bendito criador que se revelou em Cristo, seu Filho eterno, pois sua verdade foi revelada e está posta para que todos possam ver tanto na criação quanto na Palavra das Escrituras.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

A Adoração e o Estado (3)


               
                A sociedade civil se funda sobre a soberania do homem e sobre a história, mas é só olhar para as leis e se observa que o Estado necessita da axiologia, dos valores e da concepção de realidade herdada do cristianismo. 

                A ciência jurídica instituiu os direitos reais, pois sem eles, não haveria sociedade em paz. Essa ciência não perde tempo tentando provar se a realidade existe como faz a filosofia. Pela paz no estado, as coisas são tratadas como coisas, como reais. 

                A ciência jurídica depende dos valores eternos para assegurar a paz civil. Sem os valores – e esses vêm de Deus – não há que se falar em paz civil.

                Ora, tanto um quanto o outro, são doutrinas cristãs: a matéria é boa e real; sem valores não há vida.

                DAQUI se tira que a lei emana de Deus, pois se dependesse apenas dos homens, não haveria lei contemplando valores e não haveria igualmente leis contemplando direitos reais – não me interessa a presunção dos homens de posse neste breve comentário, mas a presunção da coisa como sendo real, existente, independente dos sentidos humanos e, por fim, verdadeira. O Estado depende disso para obter sua paz civil. Interessante, a ciência jurídica não trata a coisa como um fenômeno da consciência, mas a trata como algo transcendente ao homem, mas real e objetiva, como verdadeira. Para tanto é preciso ter fé para compreender a coisa como real. Somente pela fé, o sujeito pode vislumbrar a coisa e aceita-la como seus olhos vêem. O homem vive pela fé porque ele não pode transcender a si mesmo, sair do seu corpo material e ter acesso a coisa material em análise para tentar provar sua realidade.        

     Precisa ter fé porque não foi ele quem criou os olhos, o tato, o olfato enfim, os sentidos. Como ele vai saber que seus sentidos não o estão traindo? Ele precisa ter fé em alguma coisa. O direito das coisas depende disso. O estado civil depende disso, o Estado de direito depende disso. Mas essa fé é uma herança herdada da Palavra das Escrituras que ensina a objetividade e a realidade absoluta das coisas. Por fim, o Estado é possível, por causa da fé e da graça de Deus que nos deu a fé, tão preciosa fé. 

                O que é a consciência? É valor; é fé; é sensação; sem fé, a boa-fé, a consciência perde seu sentido. O instrumento que a consciência usa antes de manipular os sentidos é a fé. A consciência precisa da fé para poder compreender a coisa através dos sentidos. Na verdade, todos nós somos como marinheiros dentro de um mar revoltoso. Não se pode compreender nada. A simples consciência com os sentidos não podem trazer entendimento de algo objetivo. Quem faz essa ligação é a fé. Deus é gracioso, porque ele é o autor da fé. Ele criou a coisa para o homem e criou também a fé para que o homem pudesse manipular a coisa.

                Assim, por sua presumida consciência arrogante que diz não precisar da fé, o homem não poderia instituir estado nenhum. A consciência real que utiliza a fé dada pela graça comum do Espírito Santo é que pôde constituir o Estado para assegurar a paz civil, pois essa paz depende da tutela do Estado ao direito das coisas. As coisas só podem ser manipuladas e tuteladas por causa da fé que emana da graça comum de Deus. 

O Senhor seja adorado para sempre, Sua verdade reinará eternamente!