segunda-feira, 21 de novembro de 2011

A História e o Cristianismo


                A sociedade ocidental costuma afirmar que sua história passou por um grande colapso, um hiato que compreende o Império romano até a revolução francesa. Segundo a maioria dos eruditos, esse colapso representou uma idade negra, a idade das trevas, apenas porque a cristandade estava com o poder político.

                Pensando assim, posso compreender a agonia dos europeus, por estarem sob o domínio da igreja católica, sem que pudessem tomar suas próprias decisões civis. No entanto, essa é a parte negativa da história. No sentido positivo, o cristianismo jamais poderá ser encarado como fora da história. Cristo cresceu em Nazaré, foi morto sob o governo de Pôncio Pilatos ao confessar ser o Cristo e Rei, ressuscitou sendo foi visto por centenas de pessoas.

                Daí surgiu a primeira geração da igreja e os apóstolos. Seguiram-se as diversas gerações de pais e escolásticos da nova cristandade. A estatização da igreja foi um grande erro de Constantino, erro que ainda em nossos tempos tem trazido consequências – como a apostasia e a blasfêmia dos eruditos. Veio a reforma protestante, na verdade foi um grande avivamento, a própria visitação do Espírito de Cristo sobre a igreja. A igreja atual pode permanecer calma e confiante, pois a promessa se cumpriu, as portas do inferno não prevaleceram contra a igreja.

                O importante é contemplar por olhos espirituais a história. O cristianismo é espiritual e ao mesmo tempo é histórico. Os eruditos querem impor uma nova história, a história da civilização e ao fazerem isso pretendem excluir o cristianismo como um erro que deva ser apagado. Para eles o cristianismo não é história, ao contrário, é idade das trevas, é loucura, é atraso. A história teria recomeçado com a revolução francesa, o que foi possível por causa da consciência lúcida dos iluministas, humanistas e renascentistas, como queria Platão com sua república dos iluminados. Mas o cristianismo se sustentou desde que Jesus foi assunto aos céus e exaltado a direito de Deus até os dias de hoje, provando ser tão histórico quanto a revolução francesa. Considerando que as doutrinas cristãs não são possíveis sem o fundamento do antigo testamento, afirmo desafiando a qualquer um que o cristianismo existe desde que Abraão saiu de Ur dos Caldeus e foi se fixar na terra de Canaã. Talvez ele seja até mais antigo que o hinduísmo. Quando Isaque, filho de Abraão perguntou “onde está o cordeiro?” aí se dá o termo inicial do pacto entre Deus e o homens prometendo a remissão através do Cordeiro – surge então o cristianismo histórico. Mas o cristianismo não é apenas fato, é principalmente valor (numa linguagem erudita). Acima de tudo o cristianismo é espiritual. É a soberania do valor sobre o fato.

Nenhum comentário:

Postar um comentário