quinta-feira, 10 de novembro de 2011

O Tesouro do homem (2)

                A doutrina do Tesouro em vasos de barro (II Cor. 4.7) traz sérias complicações. Uma delas é: se o mundo moderno e pós-moderno tem ignorado que o homem é um ser espiritual, mas crido que é apenas um agregado de instintos e glândulas dentro de um corpo, e a Palavra de Deus por sua vez ensina que ele é essencialmente um espírito criado em um corpo de carne, então o conceito de realidade precisa ser reverificado.
                Ora, se existe um espírito humano no corpo que não pode ser visto, mas pode ser percebido por causa do movimento corporal e dos olhos principalmente, e se esse espírito é real e, no entanto invisível, então a realidade não se configura apenas como coisas que podem ser vistas e analisadas, mas também sentidas e cridas.
                E se a partir do momento da morte, onde há a decomposição do ser humano (o espírito se separa do corpo), quando o corpo se deteriora, mas a alma redimida não (Lc. 23.43), tem-se que o espírito é mais importante que o corpo, por isso a realidade transcendente é mais importante que a realidade visível.
                Outra séria complicação: se o espírito humano é substância real, e este é formado de valor então decai aquela antiga análise de que tudo na vida se divide em dois compartimentos: o fato e de valor. A partir daqui, valor é fato e fato é valor. Por isso a Palavra de Deus ensina: o Espírito (valor eterno e não criado) é fato (a Palavra de Deus não tenta provar a existência de Deus), e, o fato só existe por causa do propósito do Espírito de Deus. Se pudermos conhecer o espírito humano, por que não poderíamos conhecer o Espírito Santo de Deus? Se o homem é um ser espiritual, tudo é possível (parafraseando às avessas Dostoievski) e as Santas Escrituras são verdadeiras!
                A pessoalidade só é possível por causa do valor. O valor é a cópia dos atributos comunicáveis de Deus. É o que a Bíblia chama de Fruto do Espírito (Gl. 4). Sem isto não pode existir a pessoalidade no espírito humano, são os valores compartilhados do homem para o seu igual que o torna pessoal, neste sentido não há como falar em pessoalidade sem santidade, é a santidade a chave mestra, é ela que incide sobre todos os valores espirituais – fruto do espírito – para tornar um ser numa pessoa, pois sem a santidade que só Deus pode dar, o espírito humano não pode se separar da natureza para ser uma pessoa. O pecado destrói essa condição, ele incide sobre valores como câncer e faz com que o homem se torne um com a natureza, o diluindo na natureza, o tornando um ser impessoal, porque completamente imanente em tudo o que existe, perdendo assim sua transcendência em relação às coisas e as outras pessoas – isto é romantismo, isto é panteísmo, foi exatamente isso o que ocorreu em Woodstock (final dos anos 60) na épica revolução contracultural, no limiar da “Nova Era”, do Pós-modernismo em que vivemos.
                O grande problema da filosofia, da ciência e da psicologia é que não se notou um detalhe tão importante e tão concreto: o homem é um ser espiritual, é tão somente o espírito que o faz ser uma pessoa e o pecado destrói sua pessoalidade. É a santidade que faz do homem uma pessoa.

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