segunda-feira, 28 de novembro de 2011

“Que graça tem ficar sério o tempo inteiro?”

“Que graça tem ficar sério o tempo inteiro?”, perguntou o menino Jess, personagem do filme “Ponte para Terabítia”, que exalta a imaginação, a lenda e a “magia” infantil, cena em que seu pai o criticou dizendo que deveria desenhar dinheiro a fim de que pudesse pagar as contas da família já que gostava tanto de desenhar.
Essa pergunta trata de algo muito importante para os adultos inclusive. C. S. Lewis disse certa vez que Cristo é a consumação de toda a “magia”, encanto, lenda, de todo o mito e todo o sentimento de eternidade que há no coração do homem. Na verdade o que o personagem infantil do filme queria saber é: o homem é mais que a sua própria existência, o homem é “encanto”, o homem é um ser espiritual.
O amor de Deus por seu Filho é o verdadeiro encanto dos homens, por isso diz a obra-prima: “Jesus, alegria dos homens”. Ele é o amor encarnado, aleluia, Ele é a palavra encarnada de Deus, o verdadeiro pão (Jo. 6.32) que desceu do céu que alimenta o homem, alimenta a sua eternidade e lhe satisfaz completamente.
As crianças vivem nessa dimensão do encanto e da eternidade, talvez por isso o Senhor disse: “Deixai vir a mim as crianças, e não as impeçais, porque de tais é o reino de Deus” (Mc. 10.14) e “Qualquer que em meu nome receber uma destas crianças, a mim me recebe” (Mc 9.37).
Os movimentos artísticos de vanguarda do século XX exaltaram o retorno à vida infantil nas artes. Dentre tantos o Dadaísmo (de “gugú dadá”), o surrealismo e outros tantos. Queriam eles o retorno à infância, à infância feliz e seus encantos. Os homens no fundo sabem que as crianças estão bem próximas do amor de Deus, por isso desejam eles esse retorno feliz. Pena que suas idolatrias os impediram de se achegar ao Criador como uma criancinha faz. “Em verdade vos digo que se não vos converterdes e não vos fizerdes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus” (Mt. 18.3) disse o Senhor.
O senhor Jesus é a razão de nossa existência, é o encanto, é a verdadeira música, Ele é a nossa vida. Que graça tem ficar sem Jesus? Não tem nenhuma Graça.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Canções e a santidade (2)


A alma é composta de amor. As canções e as outras artes são compostas através do amor. As canções são composições da alma. Por isso a alma é mais importante que as canções. O homem não deve procurar sua salvação nas artes e na auto realização, mas naquele que formou a alma. A salvação não está nos meios (a cultura), mas no fim (Deus o Pai, O Filho e o Espírito). As canções não são os fins, mas os meios para a adoração.

A História e o Cristianismo


                A sociedade ocidental costuma afirmar que sua história passou por um grande colapso, um hiato que compreende o Império romano até a revolução francesa. Segundo a maioria dos eruditos, esse colapso representou uma idade negra, a idade das trevas, apenas porque a cristandade estava com o poder político.

                Pensando assim, posso compreender a agonia dos europeus, por estarem sob o domínio da igreja católica, sem que pudessem tomar suas próprias decisões civis. No entanto, essa é a parte negativa da história. No sentido positivo, o cristianismo jamais poderá ser encarado como fora da história. Cristo cresceu em Nazaré, foi morto sob o governo de Pôncio Pilatos ao confessar ser o Cristo e Rei, ressuscitou sendo foi visto por centenas de pessoas.

                Daí surgiu a primeira geração da igreja e os apóstolos. Seguiram-se as diversas gerações de pais e escolásticos da nova cristandade. A estatização da igreja foi um grande erro de Constantino, erro que ainda em nossos tempos tem trazido consequências – como a apostasia e a blasfêmia dos eruditos. Veio a reforma protestante, na verdade foi um grande avivamento, a própria visitação do Espírito de Cristo sobre a igreja. A igreja atual pode permanecer calma e confiante, pois a promessa se cumpriu, as portas do inferno não prevaleceram contra a igreja.

                O importante é contemplar por olhos espirituais a história. O cristianismo é espiritual e ao mesmo tempo é histórico. Os eruditos querem impor uma nova história, a história da civilização e ao fazerem isso pretendem excluir o cristianismo como um erro que deva ser apagado. Para eles o cristianismo não é história, ao contrário, é idade das trevas, é loucura, é atraso. A história teria recomeçado com a revolução francesa, o que foi possível por causa da consciência lúcida dos iluministas, humanistas e renascentistas, como queria Platão com sua república dos iluminados. Mas o cristianismo se sustentou desde que Jesus foi assunto aos céus e exaltado a direito de Deus até os dias de hoje, provando ser tão histórico quanto a revolução francesa. Considerando que as doutrinas cristãs não são possíveis sem o fundamento do antigo testamento, afirmo desafiando a qualquer um que o cristianismo existe desde que Abraão saiu de Ur dos Caldeus e foi se fixar na terra de Canaã. Talvez ele seja até mais antigo que o hinduísmo. Quando Isaque, filho de Abraão perguntou “onde está o cordeiro?” aí se dá o termo inicial do pacto entre Deus e o homens prometendo a remissão através do Cordeiro – surge então o cristianismo histórico. Mas o cristianismo não é apenas fato, é principalmente valor (numa linguagem erudita). Acima de tudo o cristianismo é espiritual. É a soberania do valor sobre o fato.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

O Tesouro do homem (2)

                A doutrina do Tesouro em vasos de barro (II Cor. 4.7) traz sérias complicações. Uma delas é: se o mundo moderno e pós-moderno tem ignorado que o homem é um ser espiritual, mas crido que é apenas um agregado de instintos e glândulas dentro de um corpo, e a Palavra de Deus por sua vez ensina que ele é essencialmente um espírito criado em um corpo de carne, então o conceito de realidade precisa ser reverificado.
                Ora, se existe um espírito humano no corpo que não pode ser visto, mas pode ser percebido por causa do movimento corporal e dos olhos principalmente, e se esse espírito é real e, no entanto invisível, então a realidade não se configura apenas como coisas que podem ser vistas e analisadas, mas também sentidas e cridas.
                E se a partir do momento da morte, onde há a decomposição do ser humano (o espírito se separa do corpo), quando o corpo se deteriora, mas a alma redimida não (Lc. 23.43), tem-se que o espírito é mais importante que o corpo, por isso a realidade transcendente é mais importante que a realidade visível.
                Outra séria complicação: se o espírito humano é substância real, e este é formado de valor então decai aquela antiga análise de que tudo na vida se divide em dois compartimentos: o fato e de valor. A partir daqui, valor é fato e fato é valor. Por isso a Palavra de Deus ensina: o Espírito (valor eterno e não criado) é fato (a Palavra de Deus não tenta provar a existência de Deus), e, o fato só existe por causa do propósito do Espírito de Deus. Se pudermos conhecer o espírito humano, por que não poderíamos conhecer o Espírito Santo de Deus? Se o homem é um ser espiritual, tudo é possível (parafraseando às avessas Dostoievski) e as Santas Escrituras são verdadeiras!
                A pessoalidade só é possível por causa do valor. O valor é a cópia dos atributos comunicáveis de Deus. É o que a Bíblia chama de Fruto do Espírito (Gl. 4). Sem isto não pode existir a pessoalidade no espírito humano, são os valores compartilhados do homem para o seu igual que o torna pessoal, neste sentido não há como falar em pessoalidade sem santidade, é a santidade a chave mestra, é ela que incide sobre todos os valores espirituais – fruto do espírito – para tornar um ser numa pessoa, pois sem a santidade que só Deus pode dar, o espírito humano não pode se separar da natureza para ser uma pessoa. O pecado destrói essa condição, ele incide sobre valores como câncer e faz com que o homem se torne um com a natureza, o diluindo na natureza, o tornando um ser impessoal, porque completamente imanente em tudo o que existe, perdendo assim sua transcendência em relação às coisas e as outras pessoas – isto é romantismo, isto é panteísmo, foi exatamente isso o que ocorreu em Woodstock (final dos anos 60) na épica revolução contracultural, no limiar da “Nova Era”, do Pós-modernismo em que vivemos.
                O grande problema da filosofia, da ciência e da psicologia é que não se notou um detalhe tão importante e tão concreto: o homem é um ser espiritual, é tão somente o espírito que o faz ser uma pessoa e o pecado destrói sua pessoalidade. É a santidade que faz do homem uma pessoa.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Sou livre e feliz!

             Quando estava na Faculdade de História, frequentemente ouvia os professores e colegas dizerem: “os crentes são uns alienados!”. Hoje entendo que é realmente o que sou. A alienação que eles se referiam é o ato de abrir mão de um direito da personalidade, como o da intelectualidade. A verdade é que todo ser humano é um alienado. Ser alienado é ser escravo de alguém. Quem não é escravo de Cristo (alienou todo o seu ser a Cristo) é escravo do pecado (alienou todo o seu ser ao pecado). A questão primordial é que tudo na vida se resume a duas coisas, como nos ensinou Santo Agostinho: os meios (os instrumentos) e o fim (a Glória de Deus). O ser humano que se aliena para os meios, ou seja, se vende para as coisas do mundo e o pecado, é escravo em todos os sentidos. O homem que se aliena para o fim, ou seja, para glorificar a Deus, é escravo em sentido estrito de que submeteu todo o seu ser a Deus e aos seus mandamentos, mas em amplo sentido, é um ser livre e feliz por ter se submetido aquele que É a Razão de toda a existência humana.