sexta-feira, 28 de outubro de 2011

O Tesouro do homem

Toda a ciência, filosofia, psicologia têm se embalado na rede do naturalismo de Darwin. Por isso, hoje o homem é encarado como um conjunto de instintos, glândulas e talentos naturais que o levam a evoluir sempre. Quando este homem entra em crise, a psicologia prontamente ajuda a resolver, como se o homem não tivesse um espírito, um tesouro dado por Deus que é distinto do corpo. Assim o homem é o seu próprio corpo. Na verdade, diante dessa concepção moderna e pós-moderna não há que se falar no homem como um ser espiritual, pois isso não existiria, a alma humana seria algo irreal, o ser humano seria produto da evolução. No mundo de hoje, a alma foi deletada, o tesouro ficou perdido, o que antes se conhecia como “alma”, hoje se conhece como “consciência”. Isto soa mais científico, mas civilizado.
Talvez por isso, o mundo de hoje se refere à doutrina bíblica do pecado como algo abominável. Condenar o pecado? Como pode? Pecado não existe! O ser humano precisa exprimir todo o seu potencial, todo o seu extinto e talento se quiser atingir seu nirvana existencial e chegar a sua autorealização, seu carpe diem, para se salvar deste mundo misterioso. Como eu poderia arrancar os meus olhos se quisesse parar de pecar (Mt 5.29) se eu sou o olho?  Como eu poderia arrancar minhas mãos se quisesse para de pecar (Mt 5.29) se eu sou a minha mão?  Pelo contrário, preciso é de expressão! Isso é tudo! Preciso fazer tudo o que mandar o meu coração, esta será a minha salvação!
O mundo não sabe que cada ser humano possui uma alma. Pelo menos três dimensões podem ser vistas na alma: a substância, o valor e o propósito divino. A alma possui substância. Ela possui limites e estes estão no próprio corpo. Se possui limites é porque há uma substância espiritual. Sartre transformou erroneamente a alma em simples consciência. Dizia ele que se se trata de consciência apenas, não há que se falar em substância. Mas o homem não é apenas uma consciência de si, é mais que isso, há algo dentro dos olhos que transcende o próprio corpo, há algo maior que a consciência, aquilo que dá razão a esta. A consciência é apenas uma ideia. A coisa palpável, substancial e factual é o espírito humano. Quando o corpo falece, o espírito continua a existir (Lc. 23.43).
A outra dimensão da alma é o valor. O valor é a cópia do atributo comunicável de Deus como o amor, a justiça, a fidelidade etc. O ser humano o é como pessoa, quando busca na fonte os valores tão essenciais a si, quando busca o Senhor Deus e o Seu Filho. Por isso quando o homem deixa de buscar a Deus, perde os valores e começa a se degradar deixando de ser pessoa para se tornar uma “impessoa” – um animal. Por isso Satanás quer tanto que pequemos, pois o pecado destrói a imagem de Deus no homem, o homem deixa de ser homem quando peca, pois perde o seu tesouro – os valores – para se tornar um simples animal. É isto que satanás tanto almeja.
A mais importante dimensão que podemos perceber na alma – o propósito de Deus. Sem isto, não haveria alma. A essência da alma humana é o querer do criador. Assim como a essência de uma cadeira é o projeto-propósito do artesão, a essência do ser humano é o propósito de Deus. Por isso, o homem possui essência antes mesmo da sua existência, pois Deus projetou o homem antes que esse viesse a existir (Ef. 1.12).
O homem possui um tesouro que é a sua alma. Aquele que se apegar ao mundo visível e não der conta de seu tesouro, o perderá no grande dia do julgamento onde o Filho tão amado e gracioso de Deus exercerá uma de suas prerrogativas que tanto ignoramos: a de juiz santo e inexorável que É.

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