A sociedade civil se funda sobre a soberania do homem e sobre a história, mas é só olhar para as leis e se observa que o Estado necessita da axiologia, dos valores e da concepção de realidade herdada do cristianismo.
A ciência jurídica instituiu os direitos reais, pois sem eles, não haveria sociedade em paz. Essa ciência não perde tempo tentando provar se a realidade existe como faz a filosofia. Pela paz no estado, as coisas são tratadas como coisas, como reais.
A ciência jurídica depende dos valores eternos para assegurar a paz civil. Sem os valores – e esses vêm de Deus – não há que se falar em paz civil.
Ora, tanto um quanto o outro, são doutrinas cristãs: a matéria é boa e real; sem valores não há vida.
DAQUI se tira que a lei emana de Deus, pois se dependesse apenas dos homens, não haveria lei contemplando valores e não haveria igualmente leis contemplando direitos reais – não me interessa a presunção dos homens de posse neste breve comentário, mas a presunção da coisa como sendo real, existente, independente dos sentidos humanos e, por fim, verdadeira. O Estado depende disso para obter sua paz civil. Interessante, a ciência jurídica não trata a coisa como um fenômeno da consciência, mas a trata como algo transcendente ao homem, mas real e objetiva, como verdadeira. Para tanto é preciso ter fé para compreender a coisa como real. Somente pela fé, o sujeito pode vislumbrar a coisa e aceita-la como seus olhos vêem. O homem vive pela fé porque ele não pode transcender a si mesmo, sair do seu corpo material e ter acesso a coisa material em análise para tentar provar sua realidade.
Precisa ter fé porque não foi ele quem criou os olhos, o tato, o olfato enfim, os sentidos. Como ele vai saber que seus sentidos não o estão traindo? Ele precisa ter fé em alguma coisa. O direito das coisas depende disso. O estado civil depende disso, o Estado de direito depende disso. Mas essa fé é uma herança herdada da Palavra das Escrituras que ensina a objetividade e a realidade absoluta das coisas. Por fim, o Estado é possível, por causa da fé e da graça de Deus que nos deu a fé, tão preciosa fé.
O que é a consciência? É valor; é fé; é sensação; sem fé, a boa-fé, a consciência perde seu sentido. O instrumento que a consciência usa antes de manipular os sentidos é a fé. A consciência precisa da fé para poder compreender a coisa através dos sentidos. Na verdade, todos nós somos como marinheiros dentro de um mar revoltoso. Não se pode compreender nada. A simples consciência com os sentidos não podem trazer entendimento de algo objetivo. Quem faz essa ligação é a fé. Deus é gracioso, porque ele é o autor da fé. Ele criou a coisa para o homem e criou também a fé para que o homem pudesse manipular a coisa.
Assim, por sua presumida consciência arrogante que diz não precisar da fé, o homem não poderia instituir estado nenhum. A consciência real que utiliza a fé dada pela graça comum do Espírito Santo é que pôde constituir o Estado para assegurar a paz civil, pois essa paz depende da tutela do Estado ao direito das coisas. As coisas só podem ser manipuladas e tuteladas por causa da fé que emana da graça comum de Deus.
O Senhor seja adorado para sempre, Sua verdade reinará eternamente!
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