quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Canções e a santidade (5)

A Adoração e o pragmatismo.



Donald P. Hustad, em seu livro intitulado “A música na igreja” (1981), afirma ter sofrido de uma espécie de esquizofrenia estética, tanto por ser um virtuoso pianista de obras clássicas como por ser um vibrante compositor de cânticos evangélicos (o que na época se chamava “músicas folclóricas evangelísticas”), tudo isto em plena era pós-guerra e durante a guerra fria.

Hustad afirmou ter-se sarado dessa esquizofrenia quando percebeu que “a música sacra deve ser encarada como arte funcional e julgada pela maneira como ela cumpre ou não sua melhor função” (p. 13). Então ele segue esclarecendo:

Significa simplesmente que a música na igreja não é uma arte livre, um fim em si mesma. É arte levada até a cruz, arte que é dedicada ao serviço de Deus e à edificação da igreja.

                O problema de Hustad é que ele defende o uso pragmático da música na igreja. Mas na verdade, isto não se configura pragmatismo. Isto por sua vez só se caracteriza como tal se não houver na mente da pessoa o determinismo. O pragmatismo é isento de determinações. Por exemplo, a Palavra de Deus determina que não se deva mentir, mas os homens mentem porque lhes é útil mentir para poderem alcançar “certos” objetivos em suas vidas. A raiz do pragmatismo é a falta de valores vindos do trono de Deus e também a utilidade que aquela ação trará ao objetivo que se quer alcançar.

                Utilizar o “Metal pesado” para atrair multidões de jovens à igreja é pragmatismo, pois esse estilo de rock não possui melodia, não dá lugar à palavra de Deus e ao Espírito Santo e ainda leva as pessoas a espasmos e a maus súbitos por causa do volume do som e das frequências das batidas percussivas. No entanto, quando se entoam cânticos espirituais contemporâneos que possuem melodias lindas inspiradas pelo Espírito Santo ou ainda pelo espírito humano redimido e principalmente com letras de adoração ao Deus Todo-poderoso, mesmo que no uso de guitarras distorcivas e baterias (em sua devida beleza e equilíbrio), não há como considerar isto pragmatismo. Hustad mesmo afirma que “toda a verdade é a verdade de Deus e toda beleza vem de Deus, seja ela ou não comumente experimentada e entendida” (p. 13). Ora se a música (com sua forma - melodia, harmonia e ritmo, seu valor – o amor da alma que gera emoção, e o fato – ela se comunica através do som) é a expressão mais sublime da alma e esta por sua vez foi criada por Deus, o fator determinante brilha aqui como a luz do sol de meio-dia. Qual é o fator determinante da música? A alma, composta pelo amor de Deus. Quando a música entroniza a Deus por seu amor, ela está fazendo aquilo que lhe é próprio, que foi determinado pelo Senhor e Criador da alma. De forma nenhuma o ato de entoar canções expressivas da alma por causa do amor de Deus, mesmo que sejam canções contemporâneas, se configuraria pragmatismo.

                Hustad pensou que poderia sarar sua esquizofrenia através do pragmatismo, mas se o fizesse assim, poderia ter ficado mais doente, pois a igreja cristã espiritual e o pragmatismo não podem se fundir. Hustad pode ficar tranquilo, ele não era esquizofrênico, tão somente viveu em uma época de juízos precipitados em virtude da verdadeira música e o que ele chama de pragmatismo na verdade não o é.

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