segunda-feira, 5 de março de 2012

O valor, o teatro, o virtual e o existencialismo

“Com razão afirmava JOHANNES HESSEN que é da essência do ser humano conhecer e querer, tanto quanto valorar” (Introdução ao Direito, p. 24).
O que há de comum entre o mundo virtual mais especificamente as novelas, os filmes, o estrelato e também o teatro com os postulados da filosofia existencialista de Sartre. Numa comparação a grosso modo, todos dão ênfase valorativa a imagem que simplesmente existe. É interessante notar que a TV no Brasil se iniciou exatamente fundada nos postulados do existencialismo.
A hipótese de uma pessoa que apenas existe, que não tem essência se completa facilmente com a ideia dos humanos virtuais que invadem as casas das familias o dia todo, mais que não têm essência alguma. Assim, o existencialismo passa duplamente a sua doutrina para todos, de que forma? 1. A própria doutrina existencial objetiva através dos roteiros dos programas de TV; 2. O próprio sentido da imagem sem essência passa a ser vivido pelos telespectadores, ou seja, um desvalor (uma desessência) passa a ser valorada. A imagem não possui essência alguma, é algo sem substancia, é apenas uma imagem. No caso dos filmes e novelas nem ao menos os personagens são reais. De qualquer forma, na tv ou no estúdio de gravação, nada há de substancial, nada há de essencial. Na Tv, trata-se apenas de uma imagem; a mesma programação quando do ato de sua gravação, trata de algo igualmente superficial, sem essência, pois se trata apenas de um ator.
As multidões de telespectadores têm passado a fazer aquilo que o ser humano faz por excelência: valorar. Valorar significa atribuir valor às coisas. Isto é o que o homem sempre faz. Sua vida depende disto. O homem adora a Deus quando este aprende a valorar a essência de Deus. O problema é que aquelas multidões tem diariamente valorado as programações de Tv e cinema. Ou seja, têm atribuído essência àquilo que realmente não possui nenhuma essência, nenhum valor real ou substancia. As novelas e filmes não podem contribuir em nada para o ser humano. Por outro lado, as coisas que realmente possuem substância estão sendo desvalorizadas, por exemplo: os amigos, a comunidade, a família, a igreja. As coisas que não possuem substancia autônoma, por si próprio, tem sido as mais valorizadas: filmes, novelas, imagem estética, até a música pode estar incluída neste roll, no caso, aquelas que não possuem substância (não tem mensagem verdadeira). Não que estas coisas devam ser descartadas. Apenas que são acessórios e não essenciais. O ser humano nunca deixará de ser uma essência, por isso ele também sempre valorizou as coisas que também são substanciais como família, amigos e igreja. Mas o Brasil existencialista do pós-segunda guerra afirma que o homem não possui essência a priori. Em detrimento disto, o homem nunca se desligou se sua essência, apenas tentou fazê-lo. Assim, continuou como sempre valorando coisas. O homem é um valor, e desse valor irradia-se valores para as coisas.
Porque o homem do século 21 ficou escravizado pelas telenovelas? Porque ele deixou de dar valor a sua essência que é real (glorificar a Deus). O existencialismo pregado por cinco décadas provocou tal fato. Mas, mesmo pensando não ter essência, o ser humano continuou por tê-la. Por ser uma essência, uma fonte secundária de valores, o homem valora sobre todas as coisas. E uma dessas coisas é a TV. A questão é que o homem deu valor a algo que não possui valor substancial, mas apenas acessório – a imagem e o entretenimento. Assim, passou a valorizar algo virtual que por isso mesmo é um desvalor, uma desessência. Transformou um desvalor real em um valor irreal. O homem não pode deixar de valorar as coisas, falando em sentido amplo. O que ele pode fazer é atribuir às diferentes coisas o valor substancial (valor em sentido estrito: Deus, família, igreja, amigos etc.) ou o valor acessório (desvalor em sentido estrito: imagem, entretenimento, músicas sem mensagens). Por ser uma essência, um valor encarnado, o homem nunca deixará de valorar sobre as coisas.
Quando ele deixa de dar valor a sua essência que consiste em ser um ‘vaso’ criado para glorificar o nome de Jesus, ele passa a valorizar naturalmente, automaticamente qualquer coisa como sendo tudo substancial. Ora se ele desvalorizou a coisa mais substancial que existe – Deus, não há porque discriminar valores entre substancias e acessórios. Sem o conhecimento de Deus, nada faz sentido para o homem, ele perde sua maior essência substancial, seu tesouro - o sublime conhecimento de Deus. Assim, sobre tudo o que o homem valorar, ele vai atribuir o caráter de substancial, assim todas as coisas vão valer como valores substanciais como instrumentos para ele criar sua própria essência. Isto é assim, porque quando o homem perde o supremo valor substancial, ele deixa de ter parâmetros para fazer as devidas descriminações de valores. Tudo passa a ser para este, valor substancial. Ele nem tem consciência disso. Nem sabe o que é valor substancial, mas é isso o que acontece. Ex: jovens que, ao criarem um estilo de vida inspirado em filmes, passam a viver conforme esse mundo virtual e da devoção aos atores de cinema; aquelas imagens virtuais sem essência concreta se transformam realmente num sentido de vida para esses jovens.
O jovem que não perdeu sua essência, não atribui valor substancial aos acessórios. Mas também não deixa de se utilizar dos acessórios, no entanto, apenas não lhe dá um valor que não é de sua competência. Assim não entrega sua vida as valores acessórios como a Tv ou shows de rock.
O que é um valor acessório? É um valor que incide sobre o âmbito existencial. Não pode trazer significação alguma a vida; não ajuda a cultivar a essência humana. Serve apenas como instrumento para o cotidiano e para as necessidades da prática diária. Ex: televisão, cinema, shows, lazer, internet, automóvel, casa, diploma, emprego, etc.
O que é um valor substancial? É tudo aquilo que incide sobre o âmbito essencial. Tudo aquilo que cultiva e promove a essência humana. Ex: a Salvação em Cristo Jesus, a palavra de Deus, os cânticos de adoração, a comunhão da igreja, o amor conjugal, o amor na família, o altruísmo entre amigos, em suma, tudo aquilo que faz referencia aos atributos comunicáveis de Deus, ou seja, aquilo que Deus copiou de Si mesmo e nos comunicou, doou ao nosso espírito para que pudéssemos ter vida abundante, ter essência.

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