sexta-feira, 16 de março de 2012

O pecado e a história


O pecado é o fator humano determinante de toda a história. É por causa dele que existe o Estado com seus chefes, legisladores e magistrados; É por causa dele que existem os médicos e as escolas. É por causa dele que existe a cobiça a qual faz girar o mundo nessa globalização de mercado e de finanças. No entanto, a Palavra das Escrituras é a única a tratar inexoravelmente o pecado, todos os outros livros ditos espirituais o subestimam.

Essa é a contribuição do homem para com a história – o seu pecado. Deus de sua parte proveu então o estado com a espada para fazer justiça civil ao pecado, proveu o médico para amenizar as dores das doenças – causadas pela depravação original do homem herdada em Adão, e proveu o professor para ensinar as crianças no caminho em que devem andar; Antes não fossem todos depravados, conheceriam esse caminho, o caminho da virtude e da justiça.

Hegel estava errado em afirmar que o determinante da história é um espírito impessoal evolutivo que se torna totalmente imanente na cultura. Quase acertou o alvo. Pois o espírito determinante da história não é de forma alguma impessoal, mas completamente pessoal. É o espírito pessoal de cada ser humano que faz a história. Por outro lado, podemos perceber que a história não foi feita apenas de guerra, mas também de amor. Se existe o amor, de forma alguma foi criado pelo homem. De árvore má não pode sair fruto bom. Quando Jesus estava conosco há mais de dois mil anos, alguém lhe chamou de bom mestre, então ele respondeu: bom? Ninguém é bom senão Deus! Se o homem não é bom, não pode criar o amor. Mas se apenas pessoas podem compartilhar o amor (o sol, a lua, as árvores, o mares, as montanhas e os animais não conseguem, pois lhes faltam o logos, o verbo da vida), entao uma pessoa não humana é a razão do amor. Por isso o apóstolo João ensinou que quem ama conhece a Deus, pois Deus é amor! Deus é uma pessoa que se relaciona, é o Espírito Santo e pessoal de Deus o fator determinante de toda história.

Marx, por sua vez, também estava errado em dizer que o determinante da história foi a matéria e a luta de classes, mas quase acertou o alvo. Não é o materialismo que determina a história, mas Deus que se instrumentaliza da alma humana e do seu pecado. É a alma pecadora que concebe a cobiça – a concupiscência dos olhos -, essa sim é a razão da história, pois antecede a luta de classes e o materialismo.

Tiago, o irmão do Senhor, acertou o alvo. Ele afirmou bem de onde vêm as guerras - o motor da história:

Donde vêm as guerras e contendas entre vós? Porventura não vêm disto, dos vossos deleites, que nos vossos membros guerreiam? Cobiçais e nada tendes; logo matais. Invejais, e não podeis alcançar; logo combateis e fazeis guerras. Nada tendes, porque não pedis. Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites (Tg 4.1-2).

                O problema não está no mundo, no materialismo, nas classes sociais, nos ricos, nos pobres, mas está no coração de cada um. O problema é o pecado.

                Russeou, o patrono da revolução francesa e, portanto, o patrono desta nova ordem mundial em que vivemos hoje, a era dos direitos, queria que a escravidão original fosse totalmente ignorada e que a liberdade civil a suplantasse. Essa ideia promoveu na sociedade ocidental uma liberdade romantizada, onde todos, ao nascerem livres, pensavam que eram integralmente livres. Rosseou não pôde atinar que a escravidão original foi causada pelo pecado. Ele então apenas maquiou essa realidade dando ao homem a liberdade civil.

                Jesus não fez essa maquiagem. O Senhor primeiro tratou o problema real, o pecado, para depois conceder a liberdade total do homem, aquela liberdade tamanha que mesmo em cadeias, o homem se sente livre. Esta liberdade é a fé e a paz de Cristo no coração. Mas não acaba por aí. Ele nos fez reino e sacerdotes do Deus Altíssimo. Implantou uma espécie de democracia sublime, onde todos devem reinar com integridade objetiva (a aparência) e subjetiva (com justiça e amor no coração). Na verdade essa “democracia” não passa de uma teocracia, pois Jesus Cristo é o Rei dos reis e Senhor dos senhores para a glória do Deus altíssimo, aleluia!

                Se algum vento de doutrina não tratar o pecado devidamente, daí saberemos que não passa de seita diabólica.

                Tudo isto não trata de existencialismo barato, onde o ego, o subjetivo, o coração é o centro de tudo. Ora, se o coração foi regenerado, ele o foi pelo poder de Deus, pois todo dom perfeito vem do Pai das luzes. Além disso, foi por causa da pessoa e da obra de Cristo na cruz que o Espírito de Deus regenerou o crente. Daí que não podemos falar em existencialismo, pois o poder de Deus que a tudo excede, que é transcendente ao homem, é que nos transformou em novas criaturas. E ainda, o amor, como foi dito acima, não vem do homem, mas de Deus. Se os homens amam, amam não por que são capazes de amar, mas porque receberam este dom perfeito do alto, do Pai das luzes. A questão é: “o mistério que esteve oculto dos séculos, e das gerações; mas agora foi manifesto aos seus santos, a quem Deus quis fazer conhecer quais são as riquezas da glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vós, a esperança da glória” (Col 1. 26-27). O mistério (fator determinante) da história (dos séculos e gerações) é Cristo (Deus transcendente ao homem, fora do homem) em vós (o Espírito de Cristo), a esperança da glória (a vida e a liberdade verdadeira).

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