O HOMEM É VALOR, sua alma é composta de valor, ou seja, foi criada através dos atributos de Deus, mas como o homem foi feito a imagem de Deus, a cópia dos atributos comunicáveis de Deus permaneceram no homem. Portanto o homem é composto de valor – amor, justiça, bondade, verdade etc. com o pecado essa imagem de Deus no homem se corrompeu.
Existe uma relação muito interessante no que tange ao homem diante dos objetos. Nada possui valor. Um carro não possui valor, nenhum objeto possui valor, o dinheiro não possui valor nenhum. Na verdade o valor está no homem. Quando Jesus disse “dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Mt. 22.21), o Senhor estava provavelmente dizendo que o dinheiro não possui valor algum, mas apenas como a constituição, a união dos valores humanos da alma em relação ao dinheiro. Por que motivo o dinheiro é tão valorizado no mundo? Porque através dele as elites financeiras e comercias do mundo controlam a cobiça dos homens. O tesouro do dinheiro está exatamente nessa cobiça, a força insaciável de todos os homens, é nisto que o mundo gira e onde sempre se firmou. É porque todos cobiçam que os objetos criam valores e surge então o dinheiro para efetivar essa cobiça.
O dinheiro é a materialização de toda a valorização indevida, quer dizer, todos cobiçam, debitando de suas almas valores e depositando-os nas coisas. Por isso o dinheiro nos empobrece, daí que Cristo nos avisou que dificilmente o rico entraria no reino dos céus (Mt. 19.23), pois literalmente o homem retira de seu espírito o amor que lhe pertence e atribui esse amor à coisa. O governo, por sua vez, passa a ter a prerrogativa de administrar as cobiças de todos, centralizando esses valores espirituais despojados das almas em cédulas de dinheiro e por fim, tutelando as lides causadas pelos vícios (cobiça) nos negócios. Por isso devemos pagar os impostos ao Estado, pois ele recebeu o dom de Deus para administrar as consequências do nosso pecado e da nossa cobiça, tentando balancear os desfalques para que ninguém sofra demasiadamente com a quebra do estado.
Que mistério maravilhoso, porque uma coisa cria valor? Porque o homem que é composto de valor, debita de sua própria alma valores e os deposita e agrega na coisa. Assim não tenho medo de afirmar que quando valorizamos indevidamente as coisas, nos empobrecemos a nós mesmos, pois valores são perdidos na alma em detrimento da coisa. Repito: a coisa em si mesmo não possui valor nenhum. Então quando cobiçamos e não conseguimos obter tal coisa, surge a ansiedade. A ansiedade é exatamente consequência ou o sinal do empobrecimento da alma. O mesmo acontece quando conseguimos a coisa, mas predemos nossa atenção e nossos olhos nessa coisa como objeto de adoração. Quando o crente busca o Senhor em oração ele recebe de Deus bênçãos inefáveis que cancelam essa ansiedade causada pela falta de bênçãos (valores espirituais) devido à valorização das coisas.
Não é errado valorizar as coisas, depende apenas da intensidade dessa valorização. Existe o gosto, o amor e a adoração. Estes são os níveis de entrega de valores que temos. Destes, apenas os dois últimos níveis forçam a pessoa a subtrair valores da alma para depositá-los no objeto. Mas não se trata de um objeto inanimado e sim de pessoas. Quando valorizamos pessoas, depositamos nela nosso amor. As pessoas foram feitas por Deus para amarem e serem amadas e por isso podemos e devemos fazer essa doação ou mesmo transação (troca). Isto não nos empobrecerá, pelo contrário, nos enriquecerá visto que quando obedecemos a vontade de nosso Senhor e Criador – amar ao próximo como a si mesmo – Ele, o Espírito do Senhor, deposita em nossa vida mais e mais amor, a Sua fonte é eterna e inesgotável.
O nível mais importante de valorização é a adoração, esta que só pode ser tributada a quem é digno, a quem é de direito. Quando adoramos o Senhor de toda glória, literalmente nos esvaziamos de nós mesmos completamente, subtraímos os valores de nossa alma (criados por Ele mesmo) e os entregamos ao Senhor Deus. Damos todo o nosso amor ao Senhor, dessa forma obedecemos ao Seu maior mandamento: amar a Deus sobre todas as coisas, com todas as forças, com todo o entendimento, com toda alma e coração. É a partir desse esvaziamento que se dá na adoração (contemplação, amor e serviço) que o Espírito nos enche se Sua riqueza inesgotável. Por isso o Apóstolo Paulo disse: “Vivo não mais eu, mas Cristo vive em mim”.
As coisas por sua vez não podem ser amadas e nem adoradas, pois não possuem o logos da vida, tão somente podem receber o gosto. Podemos gostar das coisas. As coisas não possuem o logos da vida, mas possuem a teleologia, ou seja, o propósito ou finalidade. Gostamos das coisas por que elas nos são úteis. Foram criadas para nos servirem. Possuem também a estética, fruto da teleologia. Gostamos das coisas porque possuem essa beleza estética provinda do dom criador que o homem recebeu de Deus. No entanto, é apenas isso. Não podemos amar as coisas. Por que depositaríamos nosso amor, que é tão importante para nossas almas, em coisas, que não tem vida e não podem receber esse amor? É simplesmente um desperdício de riqueza. Das coisas e animais podemos gostar por sua teleologia e estética. Um exemplo que podemos citar: um carro. Não podemos adorá-lo (muitos o fazem), mas podemos aprecia-lo no sentido de gostar da sua estética e de seu propósito, assim daremos glória a Deus por ter dado ao homem a senso de criatividade e propósito. Um carro é literalmente uma cultura, cheia de propósito e estética. Todo dom perfeito vem do Pai das luzes (Tg 1.17). Ora se o homem pode fazer cultura, muito mais o Senhor Altíssimo, o Deus de todo propósito nos céus e na terra. Isto nos remete a própria história, nos faz lembrar que ela não é um acaso, mas um propósito com início, meio e fim. A consequência disso é que daremos sempre glórias a Deus por ter criado o homem com um dom criativo e estético.
Quando nos voltamos a entender o reino de Deus, acontece isso conosco: aprendemos que o valor está não está nas coisas ou no dinheiro, mas na alma criada por Deus e que tudo foi feito para a Sua glória inefável. Aleluia!
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