A principal fonte primária da
história do amor é a música. Esta que é produzida pela alma e a alma é formada
de amor, ou seja, a excelente riqueza espiritual de Deus. Ora a música fala da
alma e das coisas espirituais. Toda alma humana possui a lembrança de Deus, o sensu divinitatis. A própria alma
testemunha de seu Criador, pois tem sede dEle. Ora o temor do Senhor é o princípio
da sabedoria. É através desse temor a tão somente através dele que podemos
perscrutar as coisas da antiguidade remota, mesmo os tempos do paraíso da
mesopotâmia entre os rios Tigres e Eufrates, o jardim do Éden. A música é uma
das fontes primárias para a pesquisa histórica, pois vem da alma e a alma vem
de Deus.
Não é a toa que a música fala
sempre de um paraíso que já se foi, de uma felicidade inatingível, um estado em
que o homem já esteve perto de Deus, a música fala de Cristo uma vez que a alma
tem sede de Cristo, o Logos eterno de Deus, o Verbo da criação. Aquele que tem sede por saber de onde viemos,
mas que ao mesmo tempo não tem como crer no Salvador Jesus Cristo, visto que
ainda não recebeu em seu coração o brilho do Deus altíssimo para iluminação do
conhecimento da glória de Deus na face de Cristo (II Cor. 4.6), pode ainda
assim ter um vislumbre distante dessa glória do Criador através da expressão da
alma em forma de música - esta que foi dada graciosamente a pelo Criador a nós
-, pois a música vem da alma e ela desarma qualquer pretensão ou arrogância, e
denuncia o engano da alma e por fim acaba testemunhando da Glória de Cristo,
mesmo que numa linguagem ininteligível.
Porque a música não se expressa
em palavras, mas em espírito, muitos não conseguem compreender que a alegria
que ela nos traz vem de um Deus pessoal. Por isso aqueles que não possuem a
revelação bíblica passam a idolatrar a própria música ou o cantor, seja quem
for. Este é o verdadeiro romantismo – a idolatria. Por isso ninguém deve basear
sua fé na música, pois ela não mostra o caminho para se chegar a Deus, apenas
mostra que existe um Deus, mas não consegue apontar o caminho. Apenas um fez
essa ponte – o Senhor glorioso, nosso Salvador Jesus Cristo, o Deus e homem
para sempre, nosso amor eterno inefável, só Ele pode satisfazer a sede da alma,
a mesma sede que a música sempre expressou.
A música que não satisfaz sua
sede na fonte genuína, Cristo, pode mesmo assim nos expressar uma alegria que
vem do eterno, no entanto, como ela não pode mostrar o caminho eterno por si própria,
visto que é sempre dependente da pessoa e da obra de Cristo, ela leva ao abismo
da melancolia, pois ela afirma a existência do Eterno, mas por não dizer o
caminho até Ele, faz despencar a alma até esse abismo da melancolia
existencial. Mas que glória quando juntamos a música com a revelação verdadeira
de Cristo – a manifestação da graça de Deus ! Que bomba! Que êxtase verdadeiro!
Que alegria sem fim! O romantismo não pode gerar essa glória, pois o seu fim é
a melancolia, uma tristeza amarga. Somente aqueles que já receberam o brilho de
Deus, o Pai das luzes, o mesmo que disse “haja luz” no princípio às trevas (quando
essas trevas não podiam por si mesmas criar a luz, pois o mundo nunca possuiu
poder intrínseco, de si mesmo, mas derivado do Criador), somente quando esse Criador
brilhou em seus corações é que puderam provar do verdadeiro êxtase da música,
pois desta vez a alma não mais mergulhou na melancolia, mas na alegria da fé no
Filho eterno de Deus.
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