quinta-feira, 3 de maio de 2012

Música e a história


A principal fonte primária da história do amor é a música. Esta que é produzida pela alma e a alma é formada de amor, ou seja, a excelente riqueza espiritual de Deus. Ora a música fala da alma e das coisas espirituais. Toda alma humana possui a lembrança de Deus, o sensu divinitatis. A própria alma testemunha de seu Criador, pois tem sede dEle. Ora o temor do Senhor é o princípio da sabedoria. É através desse temor a tão somente através dele que podemos perscrutar as coisas da antiguidade remota, mesmo os tempos do paraíso da mesopotâmia entre os rios Tigres e Eufrates, o jardim do Éden. A música é uma das fontes primárias para a pesquisa histórica, pois vem da alma e a alma vem de Deus.

Não é a toa que a música fala sempre de um paraíso que já se foi, de uma felicidade inatingível, um estado em que o homem já esteve perto de Deus, a música fala de Cristo uma vez que a alma tem sede de Cristo, o Logos eterno de Deus, o Verbo da criação.  Aquele que tem sede por saber de onde viemos, mas que ao mesmo tempo não tem como crer no Salvador Jesus Cristo, visto que ainda não recebeu em seu coração o brilho do Deus altíssimo para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo (II Cor. 4.6), pode ainda assim ter um vislumbre distante dessa glória do Criador através da expressão da alma em forma de música - esta que foi dada graciosamente a pelo Criador a nós -, pois a música vem da alma e ela desarma qualquer pretensão ou arrogância, e denuncia o engano da alma e por fim acaba testemunhando da Glória de Cristo, mesmo que numa linguagem ininteligível. 

Porque a música não se expressa em palavras, mas em espírito, muitos não conseguem compreender que a alegria que ela nos traz vem de um Deus pessoal. Por isso aqueles que não possuem a revelação bíblica passam a idolatrar a própria música ou o cantor, seja quem for. Este é o verdadeiro romantismo – a idolatria. Por isso ninguém deve basear sua fé na música, pois ela não mostra o caminho para se chegar a Deus, apenas mostra que existe um Deus, mas não consegue apontar o caminho. Apenas um fez essa ponte – o Senhor glorioso, nosso Salvador Jesus Cristo, o Deus e homem para sempre, nosso amor eterno inefável, só Ele pode satisfazer a sede da alma, a mesma sede que a música sempre expressou. 

A música que não satisfaz sua sede na fonte genuína, Cristo, pode mesmo assim nos expressar uma alegria que vem do eterno, no entanto, como ela não pode mostrar o caminho eterno por si própria, visto que é sempre dependente da pessoa e da obra de Cristo, ela leva ao abismo da melancolia, pois ela afirma a existência do Eterno, mas por não dizer o caminho até Ele, faz despencar a alma até esse abismo da melancolia existencial. Mas que glória quando juntamos a música com a revelação verdadeira de Cristo – a manifestação da graça de Deus ! Que bomba! Que êxtase verdadeiro! Que alegria sem fim! O romantismo não pode gerar essa glória, pois o seu fim é a melancolia, uma tristeza amarga. Somente aqueles que já receberam o brilho de Deus, o Pai das luzes, o mesmo que disse “haja luz” no princípio às trevas (quando essas trevas não podiam por si mesmas criar a luz, pois o mundo nunca possuiu poder intrínseco, de si mesmo, mas derivado do Criador), somente quando esse Criador brilhou em seus corações é que puderam provar do verdadeiro êxtase da música, pois desta vez a alma não mais mergulhou na melancolia, mas na alegria da fé no Filho eterno de Deus.

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