sexta-feira, 1 de junho de 2012

Deus e o individuo



               Estava acompanhando pelo noticiário a terrível guerra civil na Síria e como que a comunidade internacional tem procurado coagir o governo sírio para promover a paz naquela região até que lembrei dos ensinos de Norberto Bobbio (1909-2004, foi um filósofo político, historiador do pensamento político e senador vitalício italiano) que dizia que a tão sonhada paz mundial pregada por Immanuel Kant (1724-1804) era inevitável e para isso o mundo iria precisar de um governo unificado com leis internacionais com poder de sanção e coação sobre todos os governos para que todo indivíduo tenha sua cidadania global tutelada e para que os direitos humanos de todos fossem respeitados.

               A sociedade moderna pregou tanto a valorização do individuo, como se as sociedades anteriores não se preocupassem com isto. Por que uma sociedade moderna que se preocupa tanto com o direito do individuo tende a desembocar, segundo Bobbio, na formação de um governo único no futuro?

               A celebração do individuo que trouxe a democracia à tona terá de se valer paradoxalmente de um governo único para garantir a paz universal (tanto pregada por Kant) a fim de que cada indivíduo do mundo tenha seus direitos respeitados em pé de igualdade, de outra forma não dá, apenas assim todos poderão ser cidadãos do mundo.

               Ora esse governo era o que Deus quis com Israel, mas um governo pessoal e interessado em cada individuo (chamei-te pelo nome, tu és meu), não seria necessário revoluções e mais revoluções, mas apenas seguir o governo do próprio Deus. Agora que o homem resolveu seguir seu próprio caminho, descobrirá que sua sede por individualização desembocará num governo que da mesma forma deverá ser universal, será, no entanto um governo civil e histórico, por isso mesmo distante de Deus, pois o que o homem moderno e pós-moderno entende por história como a enganação da não existência de um Deus pessoal. Mas os cristãos sabem muitos bem, já lhes foi revelado que a verdadeira história é aquela que está escrita no rolo do qual os sete selos foram arrancados pelo Cordeiro de Deus, o único digno de tomar este livro e abri-lo, pois ele enfrentou a cruz, morreu e ressuscitou. A cruz é o centro e a chave da história. Nela a sabedoria de Deus é revelada e os sábios deste século são envergonhados. Quando a sociedade histórica civil – a grande Babilônia – vislumbrar o dono da verdadeira história – Cristo, o verbo da criação – será desfeita para sempre e a verdadeira sociedade, a Nova Jerusalém, reinará com Cristo em gozo inefável para sempre. Aleluia!

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